A LER e a DORT

Por falta total de idéias para postar por aqui e por ter participado hoje de uma ginástica laboral no trabalho resolvi tratar de saúde.

Não existiria alguém mais inadequado para falar de saúde do que eu, um inveterado anti-atividades-físicas, mas nos casos específicos da LER e das DORT eu até atrevo a emitir uns comentários. Me atrevo porque já sofri consideravelmente com dores nos pulsos causadas por uma tendinite tratada à base de repouso prolongado e anti-inflamatórios.

Para nós programadores ‘repouso prolongado’ geralmente causa alguns problemas financeiros (principalmente quando se trabalha como ‘terceirizado’) e para evitar esse tipo de problema para meus colegas de trabalho vou tentar dar alguns conselhos de vários tipos para poupá-los de tais problemas.

Antes de começar vamos definir de forma simplista o que significa LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho).

A LER é uma lesão (como o nome diz) que é causada pela movimentação repetitiva de partes do nosso corpo. Exatamente o tipo de movimento que meus dedos estão fazendo enquanto digito esse texto ou movimentando o mouse.

A LER é um tipo de DORT. DORT é qualquer problema causado à nossas estruturas ósseo/muscular por atividades relacionadas ao trabalho. A LER é a mais famosa delas.

Após essas definições supersimplificadas que certamente causarão arrepios aos mais experientes professores de educação física e fisioterapeutas que lerem esse post vamos à algumas medidas que visam melhorar as nossas chances de não desenvolver um desses problemas.

Postura

Quando eu me sento para trabalhar pareço um lord-inglês. Postura ereta, cabeça posicionada corretamente, pés plantados completamente no chão e os braços e pernas formando ângulos retos. Essa posição dura cerca de 5 minutos. Esse é o tempo necessário para que eu me perceba praticamente deitado no assento das cadeiras e as mão digitando na altura da cabeça.

Esse problema tem sido o mais difícil de resolver e minhas costas já estão avisando que é bom eu providenciar rapidamente uma solução. Se eu praticasse alguma atividade física que fortalecesse a musculatura das costas esse problema diminuiria consideravelmente mas, definitivamente, sou preguiçoso demais para fazer isso 🙂

Estou pensando em me amarrar com um cinto bem apertado na linha da cintura à cadeira (da mesma forma que a gente usa cintos de segurança de 2 pontas). Assim eu não ‘escorregaria’ para baixo da mesa 🙂 Vou consultar algum especialista na área, experimentar isso e depois falo qual foi o resultado 🙂

Eu não achei uma boa ilustração para colocar aqui com a postura ideal para se usar um computador mas basta lembrar de algumas regrinhas:

  • Braços e pernas formam ângulos de 90 graus.
  • Braços apoiados completamente sobre a mesa.
  • Pés plantados completamente no chão.
  • Tronco ereto e olhos olhando para o ‘horizonte’.
  • Parte de cima da tela do monitor deve estar exatamente na altura dos olhos.

Equipamentos

Algumas dicas importantes para o uso do ‘equipamento’:

  • Não use aqueles apoios de braço. Eles fazem com que seu braço não fiquem totalmente escorados na mesa.
  • Use luvas imobilizadoras somente sob orientação de médico. Essas luvas podem até piorar a situação. Cuide também para, caso usá-las, não apertar muito para não prejudicar a circulação.
  • Se você tiver dinheiro para ‘gastar’ compre bons teclados e mouses. Gaste mais dinheiro nisso do que naquela super nVidia 9000GXF+++ que você estava pensando em comprar. Mouses e Teclados são um caso à parte por isso tratarei separadamente.
  • Eu prefiro monitores LCD aos CRT. Não só pela beleza e estética mas porque eles não oscilam e me dão menos dor-de-cabeça. Não sei se essa sensação tem algum fundamento científico mas minha experiência pessoal prefere o de LCD.

Teclados

Para nós programadores essa é a ferramenta mais usada. Então porque gastamos fortunas com placas de vídeo, memória e processador e sempre economizamos nesse dispositivo? Eu não entendo. Mas vou colocar aqui algumas coisas que eu, em minha experiência pessoal sem base científica/estatística alguma, percebi:

  • Teclados ABNT são melhores que teclado US para nós programarmos. Digitamos menos para obter um “ç”, ‘”‘ ou uma “‘” tão comuns para delimitar strings em um programa. Digitamos menos porque nos teclados ABNT essas teclas são separadas das teclas de acentuação tornando desnecessário ‘”‘+espaço para obter uma ‘”‘.
  • Prefira teclados cujas teclas tenham o ‘curso’ menor. Teclados de notebook são assim e alguns teclados para desktops à venda também possuem esse tipo de tecla.
  • Eu troquei o meu Caps Lock de lugar com o Control Esquerdo, assim, evito 2 problemas: ficar apertando Caps acidentalmente sempre que uso a letra “A” e fazer malabarismos para digitar as combinações Ctrl+A, Ctrl+S, …
  • Me disseram que teclados DVORAK economizam esse movimentos dos dedos, mas não sei se isso é verdade.

Mouse

Evite usar o Mouse. Crie muitas teclas de atalho nos programas que você usa. O movimento teclado-mouse-teclado prejudica o braço.

O Resto

Algumas outras dicas importantes:

  • Participe das ginásticas laborais no seu trabalho caso elas existam. Se não existirem tente convencer a ‘chefia’ para que elas aconteçam (não tente fazer você mesmo essa ginástica pois fazer essas atividades de maneira errada pode atrapalhar mais que ajudar).
  • Instale o Workrave em sua máquina e desative a opção de ‘postpone’ :). Recomendo seguir as atividades propostas pelo programa. Tem algumas muito legais. Dica: desligue esse programa antes de entrar no Counter-Strike 🙂
  • Eu não gosto, mas se você gosta: pratique algum esporte/atividade física.
  • Evite programar em linguagens que exijam muita digitação: ‘public static int main(int argc, String argv[]) { System.out.println(“foo”); }’. Prefira ‘print “foo”‘ 🙂

Seguindo essas dicas você garante mais alguns ‘anos de vida’ para seu pulso.

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Por Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, motociclista "dormente" (sem moto no momento), hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano