Bossa Conference, quando é a próxima?

Acabou? Já? Que pena… 🙁

Se aqui no Brasil a gente tivesse mais eventos nos moldes do Bossa Conference eu tenho certeza que em pouco tempo seríamos um grande produtor de Software Livre e não apenas meros usuários.

Depois de ter participado e ter assistido algumas das mais fantásticas palestras que pude ver em minha caminhada pelos corredores do Open Source eu vou enumerar o que funcionou, o que não funcionou e o que precisa melhorar para a próxima edição do evento.

Funcionou muito bem o foco nos espaços para bate-papo entre os participantes no lugar de usar apenas aquele modelo palestra-após-palestra. Os intervalos entre algumas palestras era maior que o normal e a organização do evento disponibilizou festas de confraternizações para o final de cada dia. Nesses encontros mais informais desenvolvedores, líderes de projeto e aprendizes-desenvolvedores puderam falar sobre trabalho e diversão.

É fácil notar que desses encontros muitos projetos novos surgirão, muitas idéias legais serão implementadas e a qualidade dos softwares de código aberto vão melhorar consideravelmente.

O evento também focou na parte técnica do desenvolvimento de software, ou seja, não haviam (ou poucas eram as) palestras de vendedores e políticos. Tivemos só uma palestra que trata de Inclusão Digital e assemelhados e mesmo essa palestra falou sobre o projeto OLPC que apresenta uma série de desafios técnicos interessantes (além do aspecto social).

Também não tivemos palestras de sysadmins ou de DBAs. Nada contra palestras técnicas sobre esses assuntos, mas o evento preferiu dar uma atenção aos desenvolvedores.

A organização também pagou as despesas dos palestrantes. Isso permite que bons palestrantes participem do evento mesmo que eles não tenham condições de bancar uma viagem para Porto de Galinhas.

O que não funcionou durante todo o evento foi a rede Wi-Fi. Esse tipo de falha até seria perdoável se a conferência fosse um congresso médico mas num evento de tecnologia e de software livre não pode acontecer. Transparece amadorismo tupiniquim sob o olhar dos estrangeiros que estão acostumados a ficar 100% do tempo conectados. Usar chave WEP para fechar esse tipo de rede não é necessária. A idéia é fechar só o que não for permitido e não o inverso.

Houve um certo descuido do Hotel e/ou da organização do evento com relação à alimentação de alguns palestrantes. Alguns deles, que eram vegetarianos, tiveram uma grande dificuldade de encontrar comida durante as festas de confraternização que ocorriam durante a noite.

Entre as coisas que precisam melhorar estão o preço que inibiu a participação de algumas pessoas interessadas em participar do evento. O pessoal tem que ter em mente o fato de que a maior parte dos participantes da comunidade de software livre é estudante ou não é remunerado por seu trabalho. Principalmente no Brasil.

Alguns participantes reclamaram da falta de informação sobre o que acontecia no evento. Eu não senti isso. Mas eu participei de algumas discussões com a organização do evento antes dele acontecer e também sou brasileiro e podia esclarecer as minhas dúvidas com qualquer um que falasse português 🙂

Palestras em inglês sem tradução simultânea. É verdade que se alguém participa desse tipo de evento e não sabe inglês ele precisa resolver esse problema primeiro e só depois pensar em ajudar em algum projeto Open Source mas alguns palestrantes não têm o inglês como seu idioma principal e isso dificultou o entendimento de algumas apresentações.

Nessa primeira edição a escolha dos palestrantes foi propositadamente fechada para que os organizadores conseguissem definir exatamente quais as pretensões do evento mas para as próximas edições seria legal abrir parcialmente ou totalmente a formação da grade.

Sobre o que eu vi no evento:

Eu vi muito Python. Python for Maemo (filhote meu :)), Python for S60 (muito massa! :)), PyPy (finalmente entendi o projeto), PyGTK+ (a gente usa no Python for Maemo) e LLVM (relacionado com PyPy).

Também vi muito sobre Maemo: Python for Maemo (filhote meu :)), Mamona, Hildon, LLVM (relacionado com ARM), Plataforma DaVinci (Texas Instruments), …

E é isso.

Publicado por

Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, Empreendedor, dono de uma motocicleta esportiva, hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano