Eu e a comunidade Python

O Eric Hideki começou a levantar a história da comunidade Python brasileira e pediu que as pessoas que participaram desde o início pudessem colaborar com o projeto dele.

OBS. Não tive tempo de revisar esse texto antes de publicar. Assim que conseguir um tempinho prometo corrigir os problemas. Até lá, se encontrou algo grave, me manda um email.

Eu e Python

Eu conheci a linguagem Python em 2000 quando trabalhava na Conectiva (criadora do Conectiva Linux). Eu estava trabalhando (em C) num projeto que unificava as configurações de vários gerenciadores de janela suportados pela Conectiva (KDE, Gnome, WindowMaker, etc).

Eu parseava um arquivão de configurações genérico e gerava as configurações para cada um deles.

Fazer isso em C estava dando bastante trabalho e meu chefe (Cavassin) me mostrou a tradução que ele tinha feito de um mini-tutorial de Python do Magnus Lie Hetland.

Levei o artigo pra casa e tentei usar o projeto em que estava trabalhando para aprender a linguagem.

Em uma noite eu consegui implementar em Python tudo o que eu já havia feito em duas semanas de trabalho em C.

Comunidade

Quando eu deixei a Conectiva fui obrigado a trabalhar com Java e não conseguia conceber a razão pela qual as pessoas sofriam tanto com uma linguagem sub-ótima.

Com o passar dos meses eu fui percebendo que as pessoas usavam Java porque várias pessoas também usavam Java: a comunidade Java.

Como criar uma comunidade?

Comecei a pesquisar na internet e encontrei alguns núcleos e pequenos grupos de usuários Python. O mais consistente se encontrava no grupo “python-br” do Yahoo! Groups. Outro grupo que era bem ativo era do TcheZope no RS.

Como eu nunca mexi com Zope resolvi focar em participar da “python-br” cujo administrador “desapareceu” juntamente com o acesso de admin do grupo. Como a gente não tinha o admin desse grupo e começamos a receber muito spam nele decidimos criar a “python-brasil” (ainda no Yahoo! Groups) onde passei a ser o moderador principal (depois recebi ajuda do Pedro Werneck, do Andrews Medina e de mais alguns outros).

Quando eu criei essa lista ela não tinha mais do que 400 assinantes. Quando deixei a moderação ela tinha mais de 3000.

Muitas perguntas que chegavam no grupo eram repetidas e para não ter que ficar respondendo uma por uma achamos melhor criar um site para agrupar o material de Python nacional.

Um dos participantes do grupo (Marco Catunda) criou uma instância com Plone e apontamos um hostname para lá (a gente não tinha domínio próprio ainda). O problema é que ninguém configurou usuários e permissões do Plone corretamente e o Marco andava muito ocupado para fazer isso. Então ficou bem difícil alimentar o site com conteúdo.

Em paralelo a isso eu descobri os Wikis (em especial o MoinMoin que é feito em Python) e resolvi instalar um no provedor onde eu trabalhava. Coloquei alguns artigos que eu havia escrito no site e “lancei” a idéia no grupo que o abraçou. O primeiro site de Python da comunidade brasileira estava no ar. O endereço? http://python.rantac.com.br 🙂

Como o wiki é livre e, na época, não precisava nem de usuário para colocar ou editar conteúdo a coisa foi crescendo bastante e se tornou o principal site da comunidade…

Não demorou muito para que a gente tivesse motivos para se reunir e conversar sobre Python.

O Rodrigo Senra, que estudava na Unicamp conseguiu o espaço e infraestrutura para um dia de evento: PyConDay… Mas o grande número de palestras submetidas logo demandou mais um dia de evento… E a PyConDay passou a ter dois dias e a se chamar PyConBrasil (posteriormente, por sugestão do Luciano Ramalho renomeamos o evento para PythonBrasil).

O Senra cuidou de tudo praticamente sozinho e se auto-entitulou “Big Kahuna” do evento. Por tradição esse é o título concedido à todos aqueles que se aventuraram na organização de uma PythonBrasil.

Associação

Tudo o que fazíamos, na época, era feito na raça e com recursos próprios. E isso dava um trabalho enorme… Passamos a enfrentar alguns contratempos para organizar os eventos, para manter o site no ar, renovar domínios, etc.

A coisa toda ficou muito individualizada: o Osvaldo moderava a lista, mantinha o domínio pythonbrasil.com em seu próprio cartão (na época precisava ter CNPJ para adquirir um domínio .com.br e/ou ser uma organização sem fins lucrativos para ter um .org.br).

Começamos a esboçar a Associação Python Brasil para dar suporte para a Comunidade. Em 2007, depois de muita cabeçada, idas e vindas, burocracia sem fim (thanks Luciano Ramalho e Dorneles Treméa), fundamos a APyB.

Fundação da APyB

Eu sempre fui conselheiro da APyB e cheguei até a presidi-la por um mandato. É trabalhoso e razoavelmente chato gerir ela. Mas depois que nos acostumamos e ganhamos prática fica até automático.

A Fila Anda

Com o passar dos anos envolvidos com a comunidade eu comecei a ficar um pouco cansado e estava preocupado com a continuidade disso tudo. Eu também achava que novas pessoas surgiriam se eu fosse embora e “liberasse o espaço”.

Outros colegas, aos poucos, foram deixando as alavancas para outras pessoas. Novas lideranças, etc.

Eu acho que a Associação já cumpriu o seu papel. Se existissem pessoas dispostas a cuidar dela de verdade ela até poderia continuar tendo a sua utilidade.

Mas não podemos negar que a internet muda muito rápido e as comunidades ganham características cada vez mais descentralizadas. A importância de uma organização como a APyB claramente diminuiu e isso, na minha opinião, não importa muito.

Mas com o fim da APyB algumas coisas boas produzidas por ela deixarão de existir.

Filtros bolha e a diversidade de opinião

Nos últimos dias tenho feito algumas experiências e estou tentando viver sem o Google. Sério… é bem difícil e tem algumas coisas que eles fazem que estão se provando insubstituíveis.

A razão para eu tentar me livrar do Google é o temor de ficar tão dependente de um serviço deles e eles simplesmente resolverem descontinuar como fizeram com o Code Search, Reader, entre outros. É muito mais uma questão de confiabilidade do que privacidade, monopólio, etc.

Uma das coisas difíceis de se substituir é o Google Search. Principal produto da empresa. Para essa tarefa eu escalei o DuckDuckGo que, apesar do nome inusitado, já havia se motrado um excelente buscador em testes que eu havia feito anteriormente.

O DuckDuckGo tem duas “funcionalidades” interessantes. Uma delas é um respeito maior à privacidade de seus usuários. A outra é a ausência de filtros bolha.

Quando fui avaliar melhor a questão relacionada a filtros bolhas meu cérebro tomou uma linha de raciocínio que seguiu em direção à diversidade de opinião e a tolerância que temos à essa diversidade.

Vou tentar usar fatos atuais para ilustrar a minha linha de raciocínio e para isso terei que trabalhar com assuntos polêmicos relacionados à amor, ódio, religião, ateísmo, homossexualismo, etc.

Também vou partir da premissa de que todo mundo na internet, hoje, tem opiniões fortes sobre todos os assuntos. Dos royalties do petróleo ao dinheiro gasto para mandar a Curiosity para Marte.

O conceito de “filtro bolha” que o Google Search implementa faz com que assuntos que tenham mais relação com o seu histórico de pesquisa tenha um ranking melhor do que algo que não “combine” com você.

O resultado desse comportamento é que o Google Search vai sempre lhe oferecer “mais do mesmo” ao longo do tempo e aquilo que diverge das suas opiniões vai simplesmente sumindo dos resultados criando uma “bolha protetora” de opiniões.

Nas redes sociais isso também acontece mas de uma maneira mais explícita: você oculta as opiniões divergentes, o sistema ‘aprende’ que você não gosta daquilo e nunca mais te manda informações daquele tipo (ou daquela pessoa).

Frequentemente me pego “censurando” alguns posts nas minhas timelines quase que de modo inconsequente.

Sou ateu (mesmo) e acho que todos podem crer ou, como no meu caso, não-crer, no que lhes deixam felizes.

Sou heterossexual mas entendo o homossexualismo sob o aspecto cientifico dos estudos que dizem que as pessoas são homossexuais e não se tornam homossexuais por opção (ou com o passar dos anos).

No espectro político eu piso um pouco mais à esquerda do que à direita e tenho vínculo com um partido político que representa essa posição. Apesar disso sei que existem virtudes na “direita” e pessoas extremamente inteligentes que trafegam nessa vertente.

A minha linha-mestra de pensamento: se você está feliz e não está me tornando infeliz você pode fazer e acreditar no que achar melhor.

Apesar disso sou humano e cometo erros de julgamento e avaliação.

Recentemente, com a chegada de um pastor evangélico fundamentalista à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, as redes sociais estão fervendo com assuntos relacionados à cristianismo, laicismo, homossexualismo, racismo, e outros “ismos”.

Pra mim, na minha timeline, é um festival de surpresas e decepções com pessoas que fazem parte do meu “círculo virtual de amizades”. Até aí não tem nada de errado. O problema aparece é na escolha dos critérios que te fazem ficar surpreso ou se decepcionar.

Sendo ateu eu poderia me decepcionar com uma pessoa quando ela defende parcimoniosamente o discurso do tal pastor demonstrando trechos bíblicos que corroboram tais opiniões (mesmo sabendo que com trechos da bíblia é possível corroborar qualquer tese). Essa pessoa é crente e tem pra ela que esse livro é sagrado, logo, tem força maior que a “lei dos homens”.

Mas eu não posso me decepcionar com essa pessoa e censurá-la na minha timeline porque, com isso, estaria alimentando o meu filtro bolha e mandando a diversidade de opinião às favas. No lugar de censurá-la eu prefiro debater com essa pessoa ou simplesmente deixá-la com suas opiniões, afinal, ela deve ser feliz com aquele pensamento.

Agora vamos para outra hipótese: esse mesma pessoa que citou a bíblia me decepcionaria muito se usasse uma mentira, um estudo científico duvidoso, uma fonte de origem duvidosa, ou até mesmo usar desonestidade intelectual para, por exemplo, “provar que homossexualismo é errado”.

Eu tenho duas reações possíveis com pessoas que me decepcionam dessa forma. Se a pessoa é muito cara para mim eu rebato o post dela para tentar desmenti-lo. Se a pessoa “não cheira nem fede”, ela será censurada. Mas veja que eu censurei essa pessoa por ser desonesta e não por ser crente.

Qualquer tipo de censura cria o efeito “bolha” mas a bolha que eu criei é uma bolha de segurança para me proteger contra pessoas desonestas e não pra me privar da diversidade de opinião.

Além dessa censura aos desonestos eu também censuro, com menos frequencia, os “ativistas”. Censuro eles não pelo que pensam e defendem mas pelo excesso. É uma questão puramente prática: tenho um limite de tempo para ver a minhas timelines. Se elas estão monopolizadas pelos “ativistas” fica difícil ver os posts de todo mundo.

Além disso, ativistas, sejam felizes com o que pensam e defendem e me deixem ser feliz com o que penso e defendo. Parem de se comportar como Testemunhas de Jeová oferencendo a palavra do senhor.

Quanto ao caso do tal pastor: não acho que ele seja adequado para a tal comissão e acho que ele deveria sair de lá. Mas não devemos ser desonestos para atingir esse objetivo.

Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la.

Voltaire (ou não)

Arqueologia: eu e Tron

Quando eu assisti o filme Tron pela primeira vez eu delirei.

Tron - O filme que mudou minha vida

Imaginem que eu era uma criança com 5 ou 6 anos. (Explico: Nasci em 77, o filme foi lançado em 82. Assisti o filme na TV, logo, um ou dois anos depois do lançamento do mesmo nos cinemas).

Nessa época eu sequer tinha ganhado meu Atari (primeiro ‘computador’ que eu teria) e o mais próximo que tinha chegado de um videogame foi num fliperama onde meu pai havia me levado (e de uma vaga lembrança de um Telejogo Philco/Ford que um tio rico tinha).

Sim, isso funcionava e era até divertido

Mesmo assim… O filme me marcou tão profundamente (ui!) que, tempos depois, quando eu tive acesso ao meu primeiro computador (um MSX Expert da Gradiente que tenho funcionando até hoje) a primeira coisa que fiz foi tentar programar o jogo das ‘bikes’ pra ele.

Expert igualzinho ao que eu tenho

Mas tinha um problema… eu não sabia programar nada! Então meu pai me matriculou numa escolinha que ensinava programação (LOGO e Basic Apple). Eu chegava da aula todo dia e tentava criar o jogo no meu computador. E demorou até eu ter algo que funcionasse.

Algum tempo depois ganhei um livro onde, em um capítulo, eles implementavam o jogo com o nome “Pedalando”. Fui todo animado ler o código fonte deles pra ‘roubar’ algumas melhorias e tive um sentimento misto de decepção e orgulho ao ver que a implementação deles era inferior à minha (eu tenho esse livro também mas ele está num depósito tão entulhado que deu preguiça de pegar).

"A edição que eu tenho tem capa azul e uma tartaruga Logo na capa!

O tempo passou, as fitas cassete onde gravava essas coisas mofaram (literalmente) e eu acabei perdendo essa versão do jogo.

Mas a minha mania de implementar “Tron” em todos os computadores, sistemas operacionais e linguagens de programação onde tinha acesso não se perdeu.

Tela inicial do jogo (note o meu dom para o design)

Entre 1990 e 1994 eu fui desenvolvendo a última versão de Tron que implementei. Não demorei 4 anos pra desenvolvê-la mas ao longo desses 4 anos fui ‘evoluindo’ minhas habilidades como programador e usava esse código para testar várias coisas novas.

Enfim. Pra quem quiser ver o código fonte é só visitar o repositório dele no Github. Ele foi desenvolvido com Turbo Pascal 6.0 e depois com Turbo Pascal 7.0. Não preciso dizer que o código é velho, não funcionará em nenhum computador que use um sistema operacional ‘moderno’. Se você tiver uma imagem com MS-DOS em algum lugar é provável que as coisas funcionem. Os arquivos com as músicas (no formato .mod) não estavam mais nos meus arquivos, portanto, coloquem qualquer uma ou joguem sem música :D)

Mas a história não acaba aqui…

Sempre gostei de música eletrônica e andava de um lado pra outro com discos do Kraftwerk, Bomb the Bass, House & Remix Internacional, etc debaixo do braço.

Homework (acreditam que me roubaram o CD e só tenho o encarte?)

Alguns anos depois disso tudo eu tive uma época onde queria ser “DJ” e um amigo meu que curtia um tipo de som mais ‘underground‘ me emprestou um CD chamado Homework de um grupo chamada Daft Punk. Gostei tanto do CD que acabei comprando desse meu amigo (por uma grana alta!).

E os capacetes tem LEDs que exibem mensagens 😀

Desde essa época venho acompanhando o trabalho da dupla de franceses que usam capacetes muito malucos. Gostei de muita coisa que eles fizeram. Outras coisas não gostei tanto assim. Mas no geral sou fã do trabalho deles.

Pretendo assistir a estréia no IMAX 3D! 😀

Agora vocês imaginam o meu estado de ansiedade pra assistir Tron Legacy.

Trata-se “apenas” da continuação do filme que mudou a minha vida e que determinou tudo o que eu faria até hoje, com uma trilha sonora de uma dupla de músicos da qual eu sou fã desde a época em que eles eram considerados ‘underground’.

Filmes como Guerra nas Estrelas, Matrix, Explorers, etc foram muito importantes na minha infância mas Tron fez toda a diferença.

Apple Developer

Muita gente tem odiado a Apple. Muita gente tem amado a Apple. Eu mesmo tenho uma relação dúbia com os produtos dela. Sou feliz proprietário de um Macbook e não vejo a hora de trocá-lo por um outro mais novo. Foi a melhor aquisição “computadorística” que fiz desde quando comprei um MSX (na verdade foi meu pai que comprou :D).

Mas no mundo ‘mobile’ a Apple tem feito coisas que não parecem boas para os desenvolvedores mas que certamente são boas para a Apple (ao menos no curto prazo).

Aqui no meu Macbook eu ainda posso desenvolver o que quiser, do jeito que eu quiser, quando eu bem entender e vender do jeito que eu achar melhor. Se isso mudar no futuro é óbvio que eu volto a usar Linux (Windows também não, né?). Até lá, me desculpem, mas o Ubuntu e o Mark vão ter que tomar muito toddynho até ter um produto de qualidade equivalente.

Mas o que eu quero falar nesse artigo é sobre o que eu penso que pode acontecer com as crianças e jovens dessa geração se esse tipo de postura da Apple se tornar um “padrão da indústria”.

Sou desenvolvedor desde os 9 anos de idade. Usei e aprendi a programar num clone do Apple ][ (TK-3000 da Microdigital e um Exato Pro da CCE). Vivi a era dos 8bits em sua plenitude. Sabia “tudo” do meu MSX e “quase tudo” dos computadores Apple. De instruções Assembly à pinagem de alguns CIs.

Isso foi importante na minha vida. E garanto que quem viveu as mesmas coisas naquela época ainda reverencia o que fazíamos ali. Essa época criou uma geração inteira de garotos capazes de abstrair conceitos, dividir um problema grande em problemas menores e a resolvê-los usando o raciocínio lógico.

O que aconteceria se a gente conseguisse reproduzir, para os nossos jovens de hoje, um ambiente similar ao daquela época mas com um hardware muito mais poderoso?

Pode ser que nem todos os jovens fossem se tornar desenvolvedores no futuro (na verdade isso seria péssimo) mas acho que raciocínio lógico, resolução de problemas e abstração são qualidades úteis para o exercício de qualquer tarefa. Certamente são muito mais úteis que escrever miguxês ou plantar batata no Colheira Feliz.

O Cory Doctorow aborda bem esse tema em um artigo no BoingBoing.

E isso nos trás de volta à Apple e aos termos sob os quais os seus produtos vêm sendo vendidos e disponibilizados para os desenvolvedores.

Máquinas seladas que são construídas de forma a ir totalmente contra as idéias dos construtores. Plataformas de desenvolvimento oferecidas somente a quem se dispuser a entregar sua alma. Proibições e permissões arbitrárias sob o direito de usar os seus produtos, etc.

Observando exclusivamente por essa ótica chegamos à conclusão de que Steve Jobs está negando o direito que ele e o seu ex-sócio Steve Wozniak tiveram de dominar de verdade os computadores. Obviamente isso me entristece.

Por outro lado tem a visão do John Gruber de que tem jovens desenvolvendo coisas bacanas para essas plataformas da Apple mesmo debaixo dessas limitações impostas. O Carlos Cardoso também comenta sobre um aspecto bacana dessa postura da Apple.

No mundo as coisas não são sempre brancas ou pretas, certas ou erradas ou bandidos ou mocinhos. Eu não acho que o excesso de medidas da Apple seja o ideal mas ao mesmo tempo eu entendo algumas das razões pelas quais eles agem desta forma.

Empresas são empresas e precisam dar lucro. Precisam aumentar a sua participação no mercado. Precisam “amarrar” (fidelizar não existe :D) os seus clientes de uma ou de várias maneiras.

A Apple também tem uma proposta clara e inequívoca desde que o primeiro Macintosh foi lançado: popularizar a tecnologia oferecendo alternativas de altíssima qualidade e fáceis de serem usadas por qualquer um. Sempre que eles desviaram disso se deram mal.

Por outro lado a figura do “Desenvolvedor de Software”, pra eles, nunca passou de um “mal necessário”. Freqüentemente os responsáveis por estragarem os seus produtos.

O pior é que isso é verdade. É duro, como desenvolvedor, admitir que eles tem razão.

Vamos a alguns casos práticos:

  • Levanta a mão quem nunca viu o seu navegador “capotar” ao abrir uma página com Flash? Achava que era problema no Safari, mas o mesmo acontecia no Firefox. O meu E71 (que roda Flash!) reboota 50% das vezes que abre uma página com Flash. Porque uma empresa que prima pela qualidade permitiria que seu celular ficasse desligando por conta de bugs no software dos outros?
  • Só quando a gente trabalha com desenvolvimento pra dispositivos móveis, como eu fiz, você percebe como é fácil acabar com a bateria de um celular com um código não-tão-bom-assim. Esse problema já foi arrumado, mas na plataforma Maemo a comunicação interprocesso era feita com o D-Bus. Sempre que uma mensagem era enviada via D-Bus ele ‘acordava’ todos os processos do dispositivo para entregar a mensagem. A CPU aumentava o clock, o consumo aumentava e o resto vocês já sabem. Porque você deve permitir que os desenvolvedores usem as APIs do seu aparelho de qualquer jeito se isso pode fazer com que a duração da bateria fique prejudicada?
  • No livro “A Cabeça de Steve Jobs” tem uma história que conta que o Steve Jobs queria que o primeiro Macintosh fosse feito completamente selado. A razão? A experiência deles com o Apple ][ mostrava que existia muitas placas de terceiros que, por serem mal feitas, causavam problemas em todo o sistema e geravam suporte para a Apple. A proposta do Macintosh não era atender a hackers. Os Macs não vieram selados, mas quando vi abrirem um na Conectiva deu pra ver que precisava de uma chave Philips um tanto… comprida.
  • Eu consigo navegar pela Internet à procura de pacotes .sis(x) pro meu E71 sem nem olhar pra tela do computador. Consigo até compilar um .sis(x) a partir do código fonte. Também consigo apertar em “Yes, Agree, Ok, Yes Again, I’m Sure, Ok, …” para instalar um programa nele. Mas peça pro seu pai fazer isso. Peça pra algum amigo seu, da sua idade, mas que não trabalhe com tecnologia fazer isso. Peça pro seu filho instalar um .sis(x) hospedado no Google Code. Entenderam o ponto? A Apple ofereceu um jeito fácil para todos fazerem isso e só quem trabalhou numa distribuição Linux e tentou criar um repositório “contrib” sabe que, para que as coisas funcionem bem, é necessário um certo controle. O da Apple é grande demais, mas os números mostram que tem funcionado mesmo assim.
  • O iPhone OS 4 tem suporte a multitarefa (pelo que eu li ainda é ‘limitado’) mas a ausência dela até o momento foi explicada com argumentos técnicos: consumo de bateria; um processo rodando em background consumindo muitos recursos e interferindo no funcionamento de outro (o navegador do E71, em background, tornando o uso do TwitS60 impossível); etc. Também tem as explicações de usabilidade: a presença de um gerenciador de tarefa, um processo travado, matar processo, etc. e tudo isso usando somente os dedos.
  • A Apple não lança produtos prontos. Ela lança produtos com o que está pronto. Essas restrições e limitações podem cair por terra no futuro.

Esses são alguns casos práticos que justificam a postura da Apple. Não se pode negar que eles são um tanto arrogantes demais colocar a culpa dos problemas em todos que não sejam eles, mas todos já sabiam que o Jobs é arrogante.

Como desenvolvedor e “hacker-wannabe” eu não gosto dessas restrições mas se eu fosse um cliente “comum” da Apple estaria bem feliz por ter uma empresa zelando tão bem da minha experiência com seus produtos.

Onde essas restrições não existem (meu Macbook) é possível apreciar a qualidade dos produtos Apple. Já para o meu filho eu já acho que um Arduino seria bem mais útil.

Update: O pessoal da 37signals acrescentou alguns pontos interessantes à essa discussão.

Desafios e Desafio #1

Sempre gostei de desafios do tipo ‘quebra-babeça’ que podem ser feitos com um lápis/caneta e um pedaço de papel qualquer.

Conheço uns bem legais, frequentemente encontro alguns desafios novos e vou começar a postá-los aqui pra outras pessoas que também gostam desse tipo de brincadeira.

Se você conhecer algum desafio que siga essas linhas, deixe um comentário com a dica que eu coloco ele aqui com os devidos créditos.

No fim do ano o colaborador mais ativo (que enviar mais desafios) ganha um jogo criativo da Gemini da escolha do ganhador.

O desafio de hoje é o seguinte:


O objetivo é ligar os números iguais sem que nenhuma linha cruze com a outra.

A resposta está no vídeo abaixo (áudio em inglês):

Música eletrônica 80’s e os computadores


John carpenter’s Assault on Precinct 13 — Bomb the Bass’ Megablast and Xenon 2 Atari ST

Eu era um jovem que programava em BASIC no MSX. E também adorava música. Música eletrônica.

Na época que LP era presente de Natal, por conta do preço, eu ganhei o House & Remix Internacional. O 3 em 1 velho lá de casa já tocava sozinho o disco.

Capa do disco House Remix Internacional
Kon Kan, Noel, Pajama Party, Erasure, Depeche Mode e Ten City.

E detalhe: o esquema era levar um colchão pra sala, colocar uma caixa de som de cada lado da cabeça e colocar o volume no máximo possível que não causasse distorção. HeadPobre.

Como disco era artigo de luxo, o esquema no bairro era cada um pedir um diferente do outro pra poder rolar troca depois.

Então eu escutei Sigue Sigue Sputnik, Kraftwerk, mais Kraftwerk, … e… Bomb the Bass. Mais especificamente o Into the Dragon.

Sigue Sigue Sputnik, MSX, Atari, tudo de bom...

Sigue Sigue Sputnik, MSX, Atari, tudo de bom…

Cara, o que era aquele disco… e a capa? Animal… (aliás, o que mais gosto de LP é que as capas são grandes e eram bem desenhadas… quase uma segunda obra de arte).

Aí o avô do marquim trouxe um rádio portátil com CD do Japão! Não saia da casa dele mais. A gente ia na locadora de CD da cidade de bicicleta (e deixava no estacionamento cheio de carro importado e caro), e alugava de tudo. O principal era a série Bolero Mix que ia do 1 até o infinito.

Mas certo dia chegou lá o CD Unknown Territory do Bomb the Bass. Lembro que, na época, não achei tão legal quanto o Into The Dragon, mas mesmo assim gravei e escutei até ‘gastar’.

… anos depois …

Os CD players se popularizaram um pouco mais e a locadora de CD estava passando por dificuldades financeiras. Resolveu se desfazer do acervo ‘catálogo’ deles e ficar só com os ‘lançamentos’.

Cheguei lá e, por cima do balaio, estava o Unknown Territory. Não lembro quanto paguei, mas acho que não foi mais que o valor de 2 passagens de ônibus (circular).

O encarte desse CD está comigo até hoje. Ela tem dois índios brasileiros. O CD foi roubado junto com outras ‘raridades’ que eu tinha. Eu tenho os MP3 do CD pra escutar mas ainda hoje tenho vontade de recomprar esse CD.

O vídeo? A trilha sonora desse filme forneceu a ‘baseline’ do hit Megablast (Into the Dragon), música usada no jogo Xenon 2 Megablast que eu vi rodando num Amiga depois de muito tempo.

O link do vídeo chegou pelas mãos do @eduardomacan.

[offtopic] Corinthians no Orkut

Meus amigos sabem que sou corintiano. Torcedor que acompanha o time, assiste aos jogos (menos no estádio por questões de segurança), veste a camisa e tudo o mais. Também sabem que trabalho com desenvolvimento de software e que sou heavy user de Internet.

Graças a esses contatos na rede fui um dos primeiros brasileiros a receber um convite para participar de um site novo do Google conhecido por “Orkut”. Era uma época onde comíamos dezenas (centenas até) de “donut’s” que não eram entregues aos servidores.

Os primeiros usuários do Orkut no Brasil estavam localizados no Sul (majoritariamente Porto Alegre) e em São Paulo (majoritariamente na Capital). A primeira comunidade que eu criei foi a “Corinthians” quanto só existia a do Internacional e do Grêmio. Sério! As primeiras comunidades de time de futebol do Brasil foram a do Colorado e a do Tricolor Gaúcho. Depois que eu criei a comunidade do Corinthians abriram as porteiras do Orkut (podiamos usá-lo sem convites) e outras comunidades foram criadas.

Como era de se esperar as comunidades do Flamengo e do Corinthians cresceram mais do que as outras. Mas a comunidade do Corinthians, contradizendo certas pesquisas feitas por cariocas, sempre teve mais membros do que a do Flamengo.

Como era de se esperar não demorou muito para começar as pixações. As ferramentas de moderação e de administração de comunidades do Orkut se limitavam à aprovação um a um dos inscritos na comunidade e a exclusão dos baderneiros (sem opção de banir).

A coisa ficou “feia” quando chegamos a 600.000 integrantes e uma média de 300 novos inscritos por *dia*. Todos devidamente moderados somente por mim num processo que me obrigava a visitar perfil por perfil dos novos usuários para ver se o usuário já não estava em outra comunidade de time de futebol (o torcedor entra pra comunidade do seu clube antes de entrar na dos clubes adversários para pixar).

Não dava mais. Eu passava o dia inteiro mexendo só com isso num trabalho não-remunerado (ter uma comunidade desse tamanho, naquela época, não rendia dinheiro algum).

Chegou a hora de tomar algumas medidas: pedir ajuda na moderação e criar regras para lidar com os arruaceiros que chegavam às centenas após um jogo.

Chamei meus amigos corintianos Érico (que torce pro Juventus nas horas vagas) e Márcio Medrado para me ajudar na moderação. Na época só um usuário podia administrar uma comunidade. Criamos o usuário “Gilmar Giovanelli” para essa função e distribuímos a senha entre nós. Esse problema estava resolvido faltava resolver o problema das pixações.

Entrei em contato com os moderadores das comunidades do Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo pra perguntar a eles como faziam para resolver o problema dos “ataques” e me disseram que lidavam com aquilo caso-a-caso numa hercúlea tarefa de enxugar gelo. Exatamente o que estávamos fazendo.

Conversa vai, conversa vem, sugeri criar regras comunitárias válidas para todas as nossas comunidades. Essas regras eram discutidas na comunidade “Clube dos 13”.

A regra mais importante dizia que quando, por exemplo, um flamenguista invadia a comunidade do Corinthians para tumultuar ele era banido da comunidade do Corinthians e uma solicitação era feita no Clube dos 13 para ele ser banido da comunidade do seu próprio clube. Isso funcionou lindamente por muito tempo. Só não sei se ainda funciona.

Chegamos a 800.000 membros, a segunda maior comunidade da categoria “Sports & Recreations” do Orkut. Só perdiamos para “Eu adoro praia” (concorrência desleal :D). Os outros seguiam: Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Santos.

Mas a história teve um final triste: por conta de um bug no Orkut (um?) as comunidades perderam os moderadores e uma mensagem “become a moderator” surgiu na comunidade do Corinthians (na do Flamengo também). No caso do Flamengo um usuário pegou a moderação e transferiu devolta para o antigo dono. No nosso caso o usuário que assumiu a moderação brigou com alguns membros porque não queria devolvê-la ao “Gilmar” e apagou a comunidade.

Tentamos de todas as formas contatos com a equipe do Orkut para pegar devolta a comunidade mas nada feito.

Não demorou muito e outra comunidade Corinthians foi criada. As pessoas foram voltando, mas mesmo assim não era mais “aquela” comunidade. O lado bom disso: o trabalho era grande, difícil e não-remunerado. Tiramos um peso muito grande das costas.

Por outro lado, imagina a “influência” que teríamos hoje, em tempos de “Marketing Social”, ter uma comunidade com cerca de um milhão de membros? 🙂

(PS. esse post surgiu a partir da minha ideia de recriar a comunidade Corinthians no novo Orkut. Mas para isso eu preciso de um convite :P)

GP Brasil 2008 de F1, eu também fui…

Então… desde o começo do ano eu estava planejando essa viagem. Pra ser honesto estou planejando isso desde o ano passado mas só comprei os ingressos no começo deste ano.

Eu fui!
Eu fui!

E então chegou o tão esperado fim-de-semana e eu fui ver uma das corridas mais emocionantes das últimas décadas.

Pra ser perfeita precisava ter 10 gotas a menos de chuva no final. Tá ok… talvez alguns milhares de gotas a menos fossem o necessário para que a Toyota do Glock não perdesse tanto rendimento na última curva.

Eu fiquei no setor “G” da pista de Interlagos. O setor “G” ocupa todo o espaço da reta oposta. Estava lotado.


Interlagos vista de um helicóptero…

Mas vamos começar pelo sábado. Dia de treino e classificação.

Chegamos no autódromo para assistir ao treino da manhã e sentamos bem no meio do setor “G” de onde conseguíamos ver a saída dos boxes e bem ao longe o fim da reta onde, obviamente, tinha uma curva 🙂

Se esse negócio de ficar arrepiado é coisa de boiola o barulho de um F1 ‘enviada’ qualquer macho. Escutá-los reduzindo a marcha no fim da reta então faz os boiolas virarem mulher.

Algo que você só escuta lá: quando reduzem a marcha você consegue ouvir alguns ‘estouros’ do motor e um ronco grave que mostra que alí dentro tem um motor de verdade e não uma negócio qualquer que ‘grita fino’.


McLaren saindo dos boxes para volta de aquecimento

Os carros correm tanto que a foto acima deve ter sido a vigésima tentativa. Não lembro se essa McLaren era do Hamilton ou do Kovalainen. Só lembro que era saída dos boxes (não era velocidade máxima).

Terminado o treino da manhã já dava pra ver que o Massa estava bem e que o Hamilton estava na cola dele.

Algumas atividades acontecem nos intervalos entre um treino e outro. Corrida de Porches, Fórmula BMW, corrida de Masserati (muito massa), e o desfile de alguns endinheirados que pagam para fazer test-drive de Porches dentro de Interlagos. Passam com umas mulheres bonitas na carona, dirigindo um Porshe e acenando para a torcida na arquibancada.

Aliás, esse negócio de “dinheiro” lá é muito sério. Helicóptero trazendo gente para o autódromo de minuto em minuto, cerveja a R$4,50 (sem direito a profissional do sexo), espetinho de carne por R$4,00 (que se compra por R$0,50 aqui perto de casa) e o ingresso mais barato custa R$300 (antecipado) para um dia e te dá direito a frequentar um banheiro químico com uma bela vista de ‘submarinos’ boiando. Lamentável.

Lojinhas da Ferrari com souvenirs fazem a gente babar…


Boné da Ferrari: R$100, Pin: R$10, Sacolinha de plástico com emblema da escuderia: Não tem preço.

… e comprar 🙂

E tudo isso só no dia do treino… Aliás no treino classificatório o Massa ficou com a pole position e o Hamilton só em quarto. Bom pro inglês que não precisava mais do que isso pra ser campeão do mundo.

Ah! E o dia estava extremamente ensolarado e quente. Ano que vem (sim, eu vou lá em 2009) eu vou passar protetor solar mesmo se a corrida for noturna. Não é legal ficar assim:


Ai!

Para ir para a corrida, no domingo, acordamos de madrugada porque queríamos ficar bem à esquerda do setor “G” de onde era possível ver todo o “S do Senna”, local onde muitas vezes uma corrida, e nesse caso o campeonato, se decide.

Das 7hs da manhã quando chegamos à arquibancada até as 15hs quando começaria a corrida passa-se um longo período sentado, no sol, na chuva, entediado, etc. A chatisse só diminui um quando tem as ‘atividades paralelas’ como a corrida de fórmula BMW, Masserati e G3.

Aí os pilotos fazem uma volta em cima de um caminhão…


Desfile dos pilotos…

… depois eles saem um a um para a configuração do grid (o Felipe sobe 5 marchas num espaço de 100m da marca branca no chão)…


Vai Felipe!

…e então, no momento da volta de apresentação, despenca uma chuva forte em Interlagos. Só o suficiente para molhar a pista.

O Safety Car dá uma volta na pista pra verificar como ela ficou e então a direção de prova opta por atrasar a largada em 10 minutos.

Eu perdi as fotos e o vídeo da largada porque estava tão ansioso com o momento que apertei todos os botões errados do meu celular 🙂

Mas a única coisa que aconteceu no “S do Senna” foi um estranhamento entre Nakagima, Couthard e Piquezinho que forçou a entrada do Safety Car na pista.


Manja como eles estão devagar…

Depois disso eu não tirei mais fotos nem fiz mais vídeos pois precisava acompanhar a corrida (num autódromo você é quem fica responsável por ‘trocar de câmera’ para saber o que está acontecendo).

Quando o Felipe Massa passou pela linha de chegada o setor “G” inteiro começou a pular e a gritar “Campeão!”… O Felipe então para o carro na entrada da reta oposta para pegar algo (devia ser uma bandeira) com os fiscais de prova e então no som da rádio Band News (que é a locução oficial no autódromo) começa a gritar: “Hamilton Campeão! Hamilton é Campeão!” e eu não entendo mais nada…

O Massa, então, passa na nossa frente e o setor “G” começa a esmurecer… todos começam a perguntar entre si o que tinha acontecido afinal…

O único trecho que não é visível no setor “G” é justamente o ponto onde o Hamilton ultrapassou o Glock.

A torcida então começa a gritar o nome do Massa… e eu vou embora… na chuva. Muita chuva.

Dicas pro ano que vem:

  • Comprar ingresso pro setor M (mas só se for numerada)
  • Levar capa de chuva
  • Levar uma TV portátil
  • Levar uma câmera com 12x de zoom
  • Levar um binóculo
  • Levar litros de protetor solar
  • Não perder o cartão de crédito
  • Levar guarda-sol ou um sombreiro

Tem umas fotos ‘bônus’ no meu flickr.

Curiosidade nas crianças

Quando eu era criança eu era daquele tipo que desmontava brinquedos pra ver como funcionava por dentro, mandava cartas para a seção ‘Perguntas Superintrigantes’ para a revista Superinteressante (nenhuma foi publicada :/) e consultava todo tipo de livro ou enciclopédia que pudesses esclarecer minhas dúvidas.

Toda essa introdução serviu pra ilustrar uma coisa que se repete desde a minha mais remota infância: a curiosidade.

A minha curiosidade para aprender e entender como as coisas funcionam sempre foi enorme. A minha disposição para executar experimentos também. Cheguei ao ponto de ter incendiado o meu quarto por conta de um curto-circuito na rede elétrica.

Com cerca de 5 anos eu estava experimentando se ao dar um nó no fio a corrente elétrica ainda fluiria pelo condutor. Descobri que sim. 😀 Ok, foi burrice isso! Mas eu tinha só 5 anos!. Eu poderia ter simplesmente perguntado ao meu pai se isso funcionaria mas o ensinamento não teria sido tão contundente 🙂

E acreditem, essa experiência me rendeu alguns frutos positivos no futuro (pequenos se a gente comparar com o estrago). Essa experiência me garantiu uma vantagem durante as aulas de física elétrica quando o professor falava sobre “corrente de curto-circuito” e para o meu entendimento da Lei de Ohm (U = R.I ou I = U/R). Para simplificar imagine que na minha experiência R≅0, logo, I≅∞. Se potência é o produto de tensão por corrente (P = U.I) imagine o estrago (agravado por um disjuntor que não funcionou)…

Calvin running: Dad. Look! The sun's setting and its only 3 o'clock! - Calvin's dad: It's not 3 o'clock your watch stopped - Calvin looking to watch: Time doesn't stop if your watch stops? Calvin's Dad: Nope. - Calvin disappointed: Phooey. For a moment there I thought I'd get rich patenting this thing. Calvin's dad: I'd have bought one.

Mas voltando ao motivo principal deste post

Eu tenho 3 casos diferentes de crianças próximas de meu convívio. Meu filho que tem 4 anos de idade é uma criança tranquila, que brinca bastante com seus brinquedos e até já navega sozinho nos joguinhos do site da Discovery Kids.

Ainda não consegui perceber traços de uma criança curiosa nele. Tenho receio que seja em razão da sua pouca idade ou porque suas análises e experimentos passem desapercebidos por mim.

Ainda não dá pra fazer um comparativo comigo porque minha memória só vai até meus 5 anos e ainda assim é incompleta e só está presente para registrar as grandes descobertas (ou incêndios se preferirem).

Esse tipo de comparação entre pai e filho também deve ser evitada porque faz mal para ambos.

A outra criança é a minha sobrinha que tem 12 anos e estuda no melhor colégio que uma criança poderia estudar em São Paulo. Os pais dela (meu cunhado e cunhada) são extremamente presentes e acompanham os estudos dela de perto.

Também dão apoio e suporte nos assuntos, temas e matérias onde ela sente maior dificuldade ajudando pessoalmente quando possível ou através de atividades complementares pagas.

A minha sobrinha enfrenta dificuldades na(s) escola(s) ano após ano e meus cunhados até já a submeteram à avaliações para detecção de algum tipo de distúrbio neurológico como o DDA. Os resultados foram negativos.

Uma das características que observei nela é a ausência total de curiosidade.

Eu e o meu cunhado trabalhamos em áreas relacionadas à TI e graças a isso temos acesso constante a diversas tecnologias novas e à Internet. Sempre temos em mãos aparelhos, computadores, softwares, livros, filmes e até mesmo brinquedos que deveriam despertar a curiosidade das crianças.

Não adianta. Ela continua levando a vida dela e apenas recebendo as informações sem nunca tentar “caçá-las”.

O terceiro caso já não é mais de uma “criança”. Ele fez 18 anos no mês passado. Mas eu já convivo com ele desde os 12 porque ele é primo “caçula” da minha esposa.

A curiosidade dele é o que eu chamo de “curiosidade on-demand”. Pois ele até vai atrás de entender o funcionamento das coisas mas só quando aquilo servirá para resolver um problema prático do presente.

Po exemplo: ele sabe arrumar alguns aparelhos eletrodomésticos só porque trabalhou alguns meses fazendo isso.

Ele entende o funcionamento de um ferro de passar roupas até o ponto de saber que se o fio do chicote está partido o ferro não vai funcionar, mas nunca ao ponto de associar que o ferro de passar roupas é uma resistência elétrica que transforma a energia elétrica em energia na forma de calor.

A curiosidade dele nunca tenta romper a barreira da necessidade.

Algumas observações: tanto minha sobrinha quanto do primo da minha esposa são extremamente vaidosos e se preocupam com a aparência. Além disso eles são facilmente seduzidos por coisas fúteis e são extremamente vulneráveis aos apelos consumistas (celular da moda, roupa da moda, seriado da moda, …).

No caso do primo da minha esposa pedir pra ele ler alguma coisa é quase o mesmo que pedir pra ele se matar. Ele assiste DVD dublado pra não ter que ler a legenda.

Com isso descrito eu parto pro questionamento:

  1. Todas as crianças das últimas gerações são assim ou minhas amostras estão contaminadas?
  2. Vocês conhecem crianças curiosas? (pais corujas, por favor, sejam objetivos nas respostas)
  3. Vocês acham que as crianças de hoje não são mais curiosas porque elas não precisavam mais ‘caçar’ as informações pois basta ficar parado na frente da TV/Internet para obtê-las?
  4. Os pais podem estimular a curiosidade de seus filhos?
  5. Como fazer isso?