Rio de Janeiro com uma dose de velhos amigos

Como vocês puderam ler no meu post anterior eu fui até o Rio de Janeiro para participar da PyConBrasil 2008.

O evento estava fantástico e eu ainda tive o prazer de ficar hospedado na casa do meu velho amigo Luigi (vulgo Luiz).

Nessa minha curta permanência por lá pude conhecer a família dele: a esposa Mary e o filho Victor. Conhecia a esposa dele só por fotos e imaginei que ela seria antipática. O resultado? “Dei com os burros n’água”. Ela consegue ser mais simpática e legal que o próprio Luigi! 😀

O Victor tem os mesmos trejeitos do meu filho Matheus. Apesar de ser um pouco mais novo que meu filho o Victor conversa muito mais e pronuncia as palavras muito melhor que ele. Garoto inteligente que ficou brincando de Hot Wheels e de montar quebra-cabeças comigo 🙂

Eu conheço o Luigi desde que nós morávamos em São José do Rio Preto e dávamos aula de programação (eu em Clipper e ele em Pascal) na falecida Microline. Lá, nessa escola, eu passei um dos períodos mais divertidos da minha vida.

Não tínhamos muito dinheiro para fazer as coisas mas mesmo assim conseguiamos colecionar HQs, jogar RPG, jogar os adventures da Lucasart, desenvolver programas de computador, ter aulas de hardware, caminhar pela linha do trem até as cidades vizinhas, montar circuitos eletrônicos, passear dentro de cavernas, fazer tour em exposição de flores (Holambra), trocar tiros de bolinhas com pistolas de brinquedo, etc, etc, etc…

O Luigi é gerente de TI de uma universidade no Rio de Janeiro (Unisuam) mas ainda reserva tempo para desenvolver os seus projetos (que inveja! :D).

Ele me apresentou o “segundo filho” dele que é um robô com seis pneus e tem uma placa mini-ITX como “cérebro”. Me falou sobre uma “motherboard” que está trabalhando a meses dentro de um recipiente com óleo mineral (ele quer fazer um cluster refrigerado com óleo mineral). Ele também me mostrou um POV (Persistence of Vision) que ele fez com o Arduino dele.

Como vocês podem ver o Luigi é o cara. Ele consegue, como poucos, ter uma inteligência acima do normal e uma capacidade de execução invejável.

Eu também fiquei feliz ao ver que eu também estou mais magrinho do que ele 😉

I Has Arduino!

Hoje de manhã chegou uma encomenda pelo correio que eu estava esperando a muito tempo: meu Arduino 🙂

Quando eu tinha uns 9/10 anos de idade eu adorava ‘brincar com eletrônica’ com um amigo meu que tinha uma oficina em seu quintal. Todo dia depois da aula a gente jogava Atari na minha casa e depois ia para o “laboratório” dele montar os projetos que saiam nas revistas Experiências e Brincadeiras com Eletrônica Júnior ou na Be-a-Bá da Eletrônica.

Certo dia esse amigo meu me chamou na casa dele porque ele tinha acabado de ganhar um computador. Era um MSX Expert 1.1 da Gradiente completamente sem acessórios. Quando ele ligou o computador e começaram os primeiros acordes do cartucho de demonstração (Ligue-se ao Expert) eu pensei: “É isso o que eu quero pra minha vida”.

Era exatamente um desses

O processo de programação na época era +/- assim:

10 CLS
20 ON ERROR GOTO 70
30 PRINT "DESLIGANDO O ATARI DA TV E LIGANDO O EXPERT"
40 PRINT "COPIANDO PROGRAMA DO LIVRO..."
50 PRINT "EXECUTANDO O PROGRAMA (RUN)"
60 PRINT "PARABENS! DELIGUE O COMPUTADOR E PERCA TUDO"
70 END
80 PRINT "CORRIGE OS ERROS"
90 GOTO 50
RUN

Mas não foi pra falar disso que eu criei esse post. Vamos voltar ao assunto.

Enquanto morava em Recife o Elvis Pfützenreuter me deu alguns componentes eletrônicos que ele tinha comprado para usar em uma maquete de ferromodelismo que ele tinha desistido de continuar. Isso me fez lembrar de como era bom o cheiro de solda e decidi retomar a eletrônica como Hobby.

Ainda estou aprendendo!

Assim como na computação as coisas evoluiram nos últimos anos com a eletrônica também. Então “aquela” eletrônica que eu conhecia onde a gente usava só uns transistores, uns resistores, uns capacitores, etc… se transformou em algo muito parecido com… informática!

“Brincar” com eletrônica nos dias de hoje quase sempre te levará a usar um microcontrolador, ou seja, você terá um chip programável com software para trabalhar.

E é aí que o Arduino entra na história.

O Arduino é um hardware com especificação livre e possui várias implementações diferentes mas todas elas possuem um microcontrolador Atmel instalado. Como o projeto é aberto existem diversas extensões e projetos que usam ele tal no universo do software livre.

A idéia do hardware livre é tão semelhante à do software livre que existem comunidades formadas em torno destes projetos. As idéias se intercalam também. Para ver isso basta olhar para a IDE utilizada para programar o Arduino. Usa o GCC como compilador e a IDE tem uma implementação livre feita em Java.

Se você, como eu, tem interesse nesse universo e quiser adquirir uma placa Arduino pra ‘brincar’ é só fazer uma visita no site da Symphony e comprar um. O modelo que eu tenho aqui é o de 16K:

I Haz Ardooino!

Update: Esqueci de agradecer ao Blog do Jê que é um dos “praticantes de Arduino” no Brasil e notíciou o lançamento da placa pela Symphony (que tornou a compra mais $acessível$)

Também vou me alugar com livros…

Já que tá todo mundo se alugando com seus livros lidos e não-lidos eu vou fazer igual. Afinal eu sou compulsivo por comprar e ler livros (muito mais comprar do que ler).

Aí estão alguns dos meus livros lidos & não-lidos
Aí estão alguns dos meus livros lidos e não-lidos.

Não acaba por aí… tem mais esses aqui:

Mais livros lidos & não-lidos
Mais livros lidos & não-lidos.

E por último (no banheiro) o que eu estou lendo:


Na memória do eBook Reader da Sony tem uns 512MB de PDFs.

Mais notícias do front

Como todos já devem saber eu não estou trabalhando mais no INdT. O que poucos devem saber é que já estou trabalhando em para outra empresa.

Quando saí do INdT o meu plano era o de encontrar um trabalho que não exigisse muito tempo para que eu pudesse levar adiante o desenvolvimento de um projeto pessoal que “me persegue” a muito tempo.

Queria também que fosse possível trabalhar em casa pois queria ver se eu conseguiria trabalhar direito nessas condições. Se teria a disciplina necessária para isso.

Esse novo trabalho me proporcionou tudo isso exceto pelo meio-expediente que ainda não foi possível colocar em prática. Espero que assim que terminar uma das tarefas grandes em que estou trabalhando o ritmo caia pela metade.

Tenho gostado bastante de trabalhar em casa e sinto falta apenas da famosa ‘pausa para o café/bate-papo com os amigos’. Quando essa vontade aperta eu dou um pulinho lá na Haxent e trabalho lá com eles (eles me emprestam uma mesa e conexão com a Internet ‘di grátis’.

Esse trabalho novo é muito semelhante ao que eu tinha no INdT e envolve muito cross-compiling, ambientes emulados e Linux igual no INdT.

Estou trabalhando no meu Mac que ainda está com o Leopard instalado (não cometi a heresia de instalar Linux/Windows num Macbook). Como eu virei usuário Mac por gosto e uso Linux por profissão comprei o VMWare Fusion que está rodando uma imagem com o Ubuntu 8.04. Ferramenta fantástica que valeu cada um dos dólares gastos.

Para concluir as notícias vou colocar aqui uma foto do meu escritório no INdT…

Meu escritório antigo…

…e uma foto do meu escritório atual…

Meu escritório novo…

…. Estou melhor ou não estou? 🙂

Tudo ao mesmo tempo agora

Pra variar as coisas andaram paradas por aqui, não? É que muita coisa mudou desde o último post.

A maior mudança que aconteceu foi a minha saída do INdT. Pois é, eu sou doido mesmo afinal deixei de trabalhar no melhor lugar pra se trabalhar com tecnologia no país hoje. O que eu fazia lá era massa, o ambiente era massa, o suporte do INdT era massa, os amigos que fiz por lá foram muitos… então você me pergunta: “Porque você saiu?”.

Por uma série de pequenos motivos que vão desde “eu não gostei de Recife” até “o meu plano era de ficar lá só por um período” e passando por “eu já fiz as coisas que eu queria ter feito e era o momento de dar essa chance a outra pessoa” eu achei melhor voltar para Curitiba.

Saí de lá mas continuo admirando o trabalho que eles estão fazendo e torcendo para que eles consigam criar um modelo que possa ser copiado por mais empresas de tecnologia no país.

Com minha saída do INdT eu também me mudei pra Curitiba voltando para a cidade de onde saí. Estou provisoriamente na casa da sogra :P. Em junho, quando o contrato de locação dos meus inquilinos terminar, eu volto pra minha casa “oficial”.

Outra mudança legal que ocorreu foi a de que comprei um Macbook e estou usando o OS X. Sim, eu praticamente abandonei o Linux. Criei até o bordão de que agora eu “Odeio Linux!” 🙂 (mentira, óbvio).

Estou sofrendo pra me readaptar ao universo Apple. Readaptar porque eu já usei o MacOS 9 por anos seguidos nos PowerMacs 9100, 9500, 8100, etc. Naquela época o hardware era impressionante e o software horrível. Agora as coisas mudaram muito pra melhor. Por baixo da carinha bonita do OS X bate um coração Unix (BSD) e com isso eu tenho o melhor dos dois mundos: a praticidade de uma bela interface gráfica e um terminal com Vim e Python pra trabalhar 🙂

Também comprei outros tantos “brinquedinhos” eletrônicos pra mim tais como um N95 e um headset estéreo bluetooth também da Nokia entre outros que provavelmente serão alvos de algum review por aqui.

Detalhes maiores sobre as minhas últimas aventuras serão distribuídos no 9o. FISL em Porto Alegre entre os dias 17 e 19 de abril. Me esperem por lá.

Nota off-topic: Acabei de receber o livro Shell Script Profissional (site do livro) do meu amigo Aurélio. Ele me enviou de presente e com ele e mãos já deu pra perceber que a capa ficou show, o tamanho dele (480 páginas) dá uma cara de “obra definitiva” para o assunto e o acabamento e diagramação que a editora Novatec dá aos livros dela (que é padronizado) merecem vários elogios.

$oftware Livr€

Pra não dar muito trabalho pra escrever esse artigo não vou ficar fazendo links para a discussão que se iniciou com um post sobre o modelos de negócios com SL. Para quem quiser mais detalhes sigam os links do br-linux.org.

O Software Livre apareceu na minha vida a partir do ano 2000 quando fui contratado pela Conectiva S/A (Mandriva) para integrar a equipe de P&D e trabalhar no desenvolvimento do Conectiva Linux. Poderia dizer que eu já mexia com isso antes mas estaria exagerando já que o máximo que eu fazia era disponibilizar os códigos fonte de meus softwares (feitos em Clipper Summer’87 :)) para meus clientes. São só 8 anos mas tempo o suficiente para entender e ver muitas coisas acontecerem.

De 2000 pra cá passei por muitas empreitadas e passei por lugares onde recebi apelido de ‘xiita’ (por causo do entusiasmo pelo SL) e sou tratado como ‘traidor do movimento’ quando digo que sonho em ter um Apple rodando OS X.

Fazendo uma retrospectiva por todos esses 8 anos eu posso perceber uma certa coerência entre meus ideais e minhas atitudes. Evidentemente algumas idéias mudaram e outras atitudes também mas a essência permaneceu a mesma: Eu gosto de software bom.

Ser livre ou proprietário é só um dos critérios (importantes) que uso para avaliar a qualidade de um software. Se eu gosto de um software proprietário e acho que o valor cobrado por ele é correto eu certamente pagarei. Já comprei licenças de software para meu antigo Palm, licença para o Nero Burning ROM, anti-vírus NOD32, e até mesmo a do Windows OEM que veio com meu Notebook (nesse caso eu não acho o software bom, mas ele era necessário para rodar o Nero :))… mas jamais comprarei uma licença do Microsoft Office (detalhe: sou fanático por planilhas eletrônicas desde o 1-2-3 e acho o Excel a melhor planilha que existe atualmente).

Eu também tenho alguns softwares piratas rodando na máquina com Windows (principalmente a alternativa ao GIMP :P) e isso é algo que me deixa desconfortável pois sou daqueles radicais que acham que pirataria é contravenção. Prometo adquirir esse software assim que surgir uma promoção para estudante (ele é muito caro mas vale o preço).

O critério do software bom serve para definir minhas escolhas no uso de um software mas faço toda a força do mundo para que os softwares que desenvolvo sejam Livres ou, no mínimo, OpenSource. Mesmo que seja um software desenvolvido no trabalho. Meu histórico de desenvolvimento de sofware livre é pequeno e nenhum deles “emplacou” mas isso não fez com que eu deixasse de acreditar no modelo pois, afinal, eu os desenvolvo principalmente para os meus propósitos (ou para os propósitos da empresa onde trabalho). Se outros acharem útil e quiserem colaborar ótimo mas caso contrário está bom também.

É muito difícil ganhar dinheiro desenvolvendo e vendendo software livre e quando esse dinheiro começa a entrar nunca estará na mesma proporção da entrada financeira de um software proprietário. Mas ao tentar ganhar a vida “vendendo” software o autor precisará muito mais do que código para se sustentar. Ele precisará de muita criatividade, muita paciência, um bom planejamento, uma pitada de sorte e uma visão realista do mundo.

Idéias não faltam para que isso dê certo e muitas empresas espalhadas pelo mundo já comprovam isso, mas no Brasil a coisa ainda é um pouco mais complexa pois uma série de fatores como educação deficiente, preguiça, ‘malandragem/jeitinho’, ‘lei de Gerson’ e muito discurso dificultam o desenvolvimento de um modelo baseado no SL aqui no Brasil.

O próprio autor do manifesto citado no artigo do br-linux.org era um dos que passavam horas escrevendo seus “e-mails-discursos” ao invés de trabalhar no desenvolvimento de seu software. O software que ele desenvolveu também poderia ter sido feito em forma de colaboração para outros projetos (plugin pro Webmin?) mas não foi. Como um desenvolvedor pode querer colaboração para seu projeto se nem ele foi capaz de (ou se interessou em) colaborar com outro projeto?

Com relação à contribuição e à comunidade brasileira de SL: esqueça. A comunidade brasileira de desenvolvedores de SL é quase uma obra de ficção. O brasileiro quer “parasitar” o software livre. Ele quer usar o software “de graça” e não fazê-lo ou melhorá-lo. É evidentemente temos grandes excessões mas elas servem apenas para confirmar a regra.

Os brasileiros acham que usar SL e ficar repetindo as palavras do Stallman bastam, mas esquecem que software é feito de código e que sem ele nada vai existir ou melhorar.

Portanto os meus conselhos para quem quiser se envolver com o desenvolvimento de SL são:

  1. colabore com algo que já exista!
  2. se não existir ou não for possível colaborar: faça!
  3. faça mais!
  4. escreva, documente e desenvolva em inglês. Não use a língua portuguesa para não limitar os seus colaboradores a 0.
  5. lance o software (divulgue-o em todos os lugares possíveis).
  6. use-o.
  7. não espere nada em troca.
  8. não espere nada em troca mesmo (principalmente de brasileiros).

Acredite, você será recompensado.

Update: Eu reli o meu texto depois de publicá-lo e percebi que, apesar de ter citado a existência de desenvolvedores brasileiros que colaboram com SL, eu não dei a ênfase necessária (e até peguei um pouco pesado demais). Pois bem, existem desenvolvedores brasileiros de SL e a quantidade deles vêm aumentando recentemente mas navegando por sites especializados como o ohloh.net ou o sf.net é possível ver que ainda falta muito pra gente ser notado no meio das comunidades de SL.

Um dia ruim

Comecei o dia com problema de vazamento nos dois banheiros da minha casa, a fiação de um dos chuveiros totalmente derretida por causa de um curto-circuito que aconteceu enquanto eu tomava banho na noite de ontem.

Também precisava resolver uns problemas relacionados à minha conta de luz. Mudei de apartamento recentemente e precisava trocar a titularidade da conta do apartamento novo e do antigo.

Como essas tarefas chatas sempre envolvem burocracia e procedimentos desnecessários resolvi ligar para a Celpe (companhia elétrica aqui de Pernambuco) para perguntar o que era necessário levar até o posto de atendimento deles para proceder com a tal troca. A moça que me atendeu disse: CPF e contrato de locação do imóvel.

Maravilha! Fácil. E lá fui eu…

Ao chegar lá pego a senha 36 e sou informado que pra fazer tal troca eu precisaria da fotocópia do meu CPF e do contrato de locação. O problema: ninguém havia me falado nada sobre fotocópia. Então lá vai eu fazer fotocópia dos documentos ao lado do posto de atendimento da Celpe.

Chegando lá tive a impressão de que toda a humanidade resolveu fazer fotocópias naquele lugar. Como não conhecia outro lugar fui ali mesmo. Separei os documentos pra fazer as cópias e o dinheiro para pagar… peraí? cadê o dinheiro? droga! droga! ACHEI! R$1! ufa…

– Moça? Quanto é a Xerox?
– R$0,10
– Massa… deve dar… deixa eu conferir… 1, 2, 3, … 8, 9, 10! yeah!… ops… tem o verso… 11 e 12… R$0,10 vezes 12… R$1,20
– Moço… o senhor precisa pagar esses R$0,20…
– Bom, nesse caso, onde encontro um caixa eletrônico do banco Bla ou Ble?
– Ali naquele supermercado ali…

Então eu fui lá e vi que tinha uma parte do supermercado cheia de caixas eletrônicos… tinha caixa do Banco Foo, Bar, Baz, Qux, Bli, Blo, Blu… “ué? cadê o do Bla ou do Ble?”. Tinha uns 5 caixas eletrônicos no supermercado mas obviamente nenhum deles era do meu banco.

Tive então que andar mais uns 5 quarteirões até chegar numa agência do banco Bla e sacar dinheiro pra pagar o Xerox (obviamente não saquei só R$0,20 :)).

Voltei, paguei o Xerox, e depois, ao chegar ao posto de atendimento da Celpe, escutei: “Senha 39!”. Droga! perdi a minha vez. Não aceitaram a choradeira e as reclamações e tive que ficar com o já conhecido “Sinto muito mas não poderemos estar te ajudando.” e a senha 42.

Depois de alguns intermináveis minutos finalmente consegui fazer tudo o que precisava e cheguei no trabalho na hora do almoço.

Saí direto pro almoço com a turma do trabalho e fomos num restaurante italiano no shopping. Sentamos na mesa e o garçom entregou o cardápio para todos os meus amigos menos pra mim 🙂

Tirando esse probleminha com o cardápio tudo transcorreu tranquilamente no meu almoço até voltar para o trabalho e ver uma movimentação grande de pessoas, viaturas da polícia e bombeiros na frente do prédio. Perguntei o que estava acontecendo e disseram que era alguém querendo se pular lá de cima. Ninguém falou nada de pára-quedas.

Olhei pra cima preparando o grito de “Pula! Pula! Pula!” para ver quem era essa pessoal que provavelmente teve um dia pior do que o meu… mas nada. Ou já tinha pulado ou já tinha desistido.

Uma tarde improdutiva no trabalho onde desafoguei a leitura de e-mails e feeds. No meu agregador tinha um daqueles testes de personalidade para descobrir qual a linguagem de programação mais se parece com você.

Eu não gosto de fazer esses testes mas resolvi dar uma chance à esse. O resultado?


You are Perl. People have a hard time understanding you, but you are always able to help them with almost all of their problems.
Which Programming Language are You?

Bombeiros! Polícia! Voltem aqui que eu vou pular!

Atualização: O vazamento dos sanitários continua e agora um deles resolveu entupir.

Computador para Todos

Tenho acompanhado algumas notícias sobre o projeto Computador para Todos do governo federal e os comentários que aparecem nos blogs onde essas notícias circulam me fazem perguntar uma coisa: o que a comunidade de SL esperava desse programa?

Uma análise científica isenta (perdoem a redundância) precisa analisar o fenômeno de migração Linux->”Windows Pirata” que está acontecendo com as máquinas do programa Computador para Todos, mas eu desconfio que no final dessa análise chegaremos à uma conclusão óbvia: as empresas e o público consumidor brasileiro não estava preparado para o Linux.

Sim, as empresas não estavam preparadas porque elas não sabem como dar suporte ao Linux, como tornar os seus vendedores aptos a venderem um produto ligeiramente diferente do que eles estavam acostumados a vender, e porque os empresários brasileiros são muito bons para reclamar de imposto e juro alto (são altos mesmos) mas péssimos para criar e levar adiante modelos de negócio diferentes daqueles que eles usam desde a época de Getúlio Vargas.

O público também não estava preparado para o Linux. Os professores nas escolas pedem os trabalhos escolares em formato “.doc” para seus alunos. Os órgão públicos (principalmente o judiciário) publicam os documentos sobre licitações públicas, editais e coisas do tipo em formatos proprietários (.doc também) e os sites das instituições públicas não funcionam com navegadores que não sejam o Internet Explorer.

Como que a comunidade de software livre quer que as pessoas “normais”, aquelas que não são entusiastas de tecnologia, usem um computador com Linux? Essas pessoas vão ficar com Linux em seus computadores só porque ele é “politicamente correto”? Isso é bobagem.

E como as coisas não aconteceram da forma que a “comunidade” esperava eles trataram logo de eleger os culpados (Microsoft, Abes e Governo Federal) para que ela possa se eximir de qualquer responsabilidade pelo que aconteceu.

A comunidade erra quando ataca a Microsoft, a Abes e até mesmo o Governo Federal (podem atacar, mas usem os motivos certos). A Microsoft não tem culpa de nada. Ela está simplesmente jogando o jogo. Se a comunidade SL não fez o seu trabalho corretamente a culpa não é dela e à ela cabe apenas tentar fazer a sua parte com correção e honestidade. Se ela não for honesta a nossa função é apontar com provas a desonestidade dela.

A Abes também não é vilã. Ela é uma associação de empresas que produzem e vendem software proprietário. Ela detectou que o programa Computador para Todos estava servindo para aumentar os índices de pirataria e fez uma pesquisa para provar isso (eu tenho uma forte sensação de que eles falam a verdade nesse trabalho). Culpá-la por fazer isso é o mesmo que culpar a OAB por defender os interesses dos advogados.

Querer culpar o Governo Federal pelo programa Computador para Todos é correto? Nunca. O projeto está permitindo que pessoas comprem computadores e isso é bacana. O projeto também sugere que esses computadores venham com Linux e isso também é bacana. Mas num país democrático é o máximo que um projeto governamental pode e deve fazer. A partir deste ponto a tarefa de popularizar o Linux cabe às empresas que montam e vendem esses computadores e à comunidade de SL que dará suporte à esses usuários* e pressionará as empresas, escolas, órgãos públicos para que utilizem os padrões abertos que permitem que Linux e Windows convivam harmoniosamente.

Um “causo” real: Um sobrinho meu pediu um computador para seus pais e graças ao Computador para Todos ele iria ganhar o tal computador. Na loja (Ponto Frio em Curitiba) o vendedor explicou pra ele que o computador com Linux era mais barato mas ele recomendava a versão com Windows Starter Edition porque o Linux queimava os computadores. Graças à isso o meu sobrinho optou por não seguir os meus conselhos e adquiriu a máquina com o tal Windows. O Windows então começou a pedir códigos e mais códigos de ativação, ligações para 0800 da Microsoft, nota-fiscal pra cá, nota-fiscal pra lá e, finalmente, um WindowsXP pirata foi instalado em cima do tal Windows Starter Edition.

Isso também daria uma pesquisa interessante: Quantas pessoas tiraram o Windows Starter Edition da máquina pra instalar um WindowsXP pirata? Estaria a Microsoft colaborando com a pirataria?

* esse suporte não precisa necessariamente ser feito no formato de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Esse suporte pode ser feito com desenvolvimento de novos softwares, melhoria de alguns já existentes, tradução de documentação, tutoriais, treinamentos gratuitos para grupos de usuários, etc.

Autores Falsos de Textos Falso

Recebi um e-mail dessas correntes de uma amiga e respondi à ela alertando para o fato e aproveitando pra emitir um pouco das minhas opiniões sobre política e eleições.

Não quero convencer ninguém a votar em ninguém. Também não quero saber de discussões fervorosas sobre política nesse blog então, excepcionalmente para este post, irei desligar a opção de comentários.

Segue o conteúdo do e-mail:

Oi Amiga,

Esse texto não é do Arnaldo Jabor. Já dá pra perceber pelo estilo e pela falta
de responsabilidade de chamar o Presidente da República (note as letras
maiúsculas) de "retardado".

Tem gente que gosta do Lula e tem gente que não gosta do Lula, mas
respeitá-lo é uma obrigação de todo mundo, afinal, ele é o atual Presidente
e teve uma votação de 66% na primeira eleição e caminha para outra
eleição onde ele vai chegar próximo desses 66%. Se são votos de pessoas
desinformadas não foi culpa dele, afinal, foi a primeira vez que ele governou
o país

Além do autor desse texto ofender o Presidente da República ele ainda fala
que eu tenho "problemas mentais", afinal, eu votaria no Lula se meu Título
de Eleitor tivesse sido transferido aqui pra Pernambuco.

Eu não tenho problemas mentais, não sou analfabeto (digo até que escrevo
melhor que esse falso-arnaldo-jabor abaixo) e faço parte da classe Média
brasileira. Mas a classe Média que eu participo é aquela que entende que é
possível abrir mão de algumas coisas materiais para ajudar aqueles que
precisam.

Mesmo que essas pessoas gastem esse dinheiro pra assistir um jogo do
"mengão" e tomar cerveja eu não quero que minha consciência pese ao
saber que essas pessoas antes de poderem torcer para o mengão e tomar
uma cervejinha (como eu faço hoje) costumavam morrer por causa da fome.

Também não podemos nos esquecer que se existe uma parcela dos
beneficiados dos programas sociais que "tomam cerveja" existe uma
outra parcela presumivelmente muito maior que tem colocado seus filhos
na escola e comprado comida, caderno e lápis pra eles com esse dinheiro.

Eu sou um "classe média" do sudeste que por acaso vim trabalhar no
nordeste e pude perceber que as "diferenças sociais" desse país por aqui
são muito maiores do que as diferenças nosul/sudeste
do país onde morei.

Aqui eu vi a babá do meu filho chorar e dizer "que nunca havia ganhado
tanto dinheiro na vida dela" depois que a registrei com 1 salário mínimo.
Imaginem 1 salário mínimo é ultrajante pra mim e um 'salarião' para ela e
só foi possível eu registrá-la porque o Lula criou um programa de
restituição do INSS recolhido para ela em meu Imposto de Renda.

Os 4 netos da minha babá recebem dinheiro dos programas do governo.
São todos meninos espertos, frequentando a escola e bem alimentados que
brincam junto com meu filho sempre que se encontram.

É nesse mundo 'igual' que eu gostaria de ver meu filho crescer.

Valeu,
Osvaldo

PS. Os meninos estão na escola também porque os programas do governo
obrigam a isso. É obrigação dos pais manter os filhos na escola
para receberem o benefício, diferente do que a candidatura PSDB alega.

On 10/25/06, Amiga Minha wrote:
> Um texto de Arnaldo Jabor - PERFEITO E PESADO!
>
> Me revolto ao ver que pessoas esclarecidas tem a ousadia de apoiar a
> pessoa mais retardada deste país: LULA.
>
> Só uma pessoa que padece de problemas mentais para nunca ter ciência
> do que se passe ao seu redor....ou seja, vive aérea.
>
> E tem mais, voto sim no Alckmin, que seja ele ladrão. Voto pq não recebo
> cesta básica, não tenho bolsa família, bolsa escola, auxílio gás, não
> participo do fome zero, pelo contrário, faço parte da classe que fica
> FORNECENDO dinheiro pra esse ser maldito que teve a infelicidade de
> nascer neste país, ficar bancando parte da população que está super
> satisfeita com os auxílios governamentais e se contenda ter grana no
> final de semana pra beber cerveja e ver os jogos do Flamengo.
>
> Pobre de mim, alma atormentada que luta pra ter algo e é massacrada pela
> ignorância da massa brasileira.
>
> Pobre de mim que tenho que engolir o maldito barbudo, pq no Nordeste e
> Norte do país, não há desenvolvimento cultural e informações suficientes
> para esclarecer a real conjuntura vivida.
>
> Pobre de mim que tenho vergonha de morar em um país que elege Paulo
> Maluf e os ladrões do mensalão e, completam o circo com Clodovil!!!
>
> É vergonhoso ser eleitor neste país!
>
> A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
>
> ARNALDO JABOR

À Sombra de Titãs

Não, eu não morri. Sim, estou passando por uma crise criativa. E já vou avisando que esse post está completamente mela-cueca e “puxa-sacos” 🙂

Todo nerd é saudosista. Se isso não fosse verdade nós não nos interessariamos por coisas como MSX, TRS-80 e Apple II. Como nerds costumamos chamar de antigüidades enquanto os outros chamam apenas de lixo ou velharia.

Com meu ‘bit’ saudosista habilitado (só nerd pra escrever essas coisas) resolvi fazer um levantamento do meu envolvimento com as pessoas da Comunidade do Software Livre brasileira.

Eu tive uma sorte muito grande de sempre ter convivido ao lado de “Titãs” do Software Livre. Se fosse possível “aprender por osmose” eu certamente seria um gênio mas infelizmente não é. Para homenagear essas pessoas resolvi dar nome aos GNUs (ha ha ha que tentativa horrível de fazer um trocadilho).

O legal desses GNUs é que nem sempre eles aparecem ‘na mídia’ ou são tratados como ‘personalidades’ por outros membros da comunidade mas certamente eles fizeram algo pelo Software Livre.

Meu envolvimento com Software Livre começou efetivamente em 2000 quando comecei a trabalhar na Conectiva. Antes disso os programinhas Clipper que eu fazia eram liberados mas não sabia que isso era SL.

Hoje eu tenho a impressão que fui trabalhar lá por causa de uma ‘falha’ no processo de contratação. Só pode ter sido isso essa a razão. Afinal, nessa época eu não me envolvia com comunidade, me batia por dias tentando estabelecer uma conexão PPP (e nem era Winmodem :P) e nunca tinha conseguido concluir com sucesso uma compilação de kernel :). Nunca tinha feito uma linha de código em C para ambientes Unix (só para DOS) e mesmo assim fui parar no departamento de Pesquisa & Desenvolvimento da Conectiva. Meu inglês hoje é muito ruim, imagine naquela época 🙂

Lá na Conectiva, que hoje se chama Mandriva, trabalhava a elite do Software Livre brasileiro. Alguns desses profissionais ainda estão por lá e outros estão ‘por aí’. Para citar alguns: Arnaldo Melo (acme), Cavassin, Rodarvus (vulgo Rodrigo), Gustavo Niemeyer (Python, Smart, …), Sérgio Bruder (PontoBR), Cláudio Matsuoka (um moonte de coisas), Hélio (KDElio), Alfredo Kojima (WindowMaker, apt-rpm, …), Aurélio (verde, que à época era o verde666), Paulo César Andrade (driver Vesa pro XFree86), etc etc etc etc etc… E eu lá, no meio desse monte de gente 🙂

Não preciso dizer que ter trabalhado na Conectiva é equivalente a jogar na Seleção Brasileira para um jogador de futebol.

Algum tempo depois fui trabalhar Objective Solutions onde tive o privilégio de conhecer caras muito bons, entre eles: Klaus Wuestfeld (Prevayler). Na Objective eu aprendi a programar usando Orientação à Objetos.

Trabalhar com Python também faz com que a gente tenha contato com pessoas fora do comum no quesito inteligência. Não é qualquer comunidade que dispõe de pessoas do naipe de Luciano Ramalho, Érico Andrei, Jean Ferri, Rodrigo Senra, Pedro Werneck, Xiru, Sidnei da Silva, Gustavo Barbieri, José Nalon, etc etc etc.

As pessoas que fazem muito blablabla (chamados de “Boi” pelo Júlio Cezar Neves) deveriam se inspirar no trabalho dessas pessoas citadas aí em cima e parar de ficar discutindo coisas inúteis sobre “Melhor distribuição Linux”, “Gnome vs. KDE” ou outra coisa do tipo.