Review: “SideProject Book” e “The Profitable Side Project Handbook”

Hoje eu vou falar sobre 2 eBooks que falam sobre o mesmo assunto: projetos paralelos (Side Projects). Ambos são publicados pelos próprios autores (self-publishing) e podem ser adquiridos em seus respectivos sites.

SideProject Book

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Esse foi o primeiro que eu comprei mas demorou para eu começar a ler. Esse livro é basicamente uma coletânea de entrevistas fracas e repetitivas com empreendedores que resolveram começar um projeto paralelo em suas vidas.

A seleção de entrevistados é boa. Conheci muitos projetos bacanas graças à esse livro mas as entrevistas em si são muito superficiais. Uma pena.

O autor, não sei por qual motivo, faz um certo esforço para se esconder. Deu trabalho chegar ao nome dele e ainda assim não pude verificar se é real: Laksman.

O livro custa $34 e vem nos formatos PDF, ePub e Mobi. Você pode comprar o livro no site do autor. A versão PDF é bem diagramada e tem várias ilustrações que não aparecem na versão Mobi que estou lendo (Kindle). No entanto a ausência das ilustrações não prejudica muito.

The Profitable Side Project Handbook

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Esse eu adquiri recentemente e gostei mais. A autora, Rachel Andrew é sócia da empresa que desenvolve o mini-CMS Perch. O produto deles é desenvolvido em PHP e o modelo de negócios é baseado na venda de licenças e não um modelo de SaaS (Software as a Service).

Ela explora vários aspectos do trabalho em um side project e dá várias dicas que funcionaram muito bem para ela. É uma leitura rápida e suave onde ela aborda os tópicos de forma bem direta e simples.

Você também vai encontrar algumas mini-entrevistas com empresários que iniciaram suas empreitadas como um projeto paralelo.

O eBook vem em 3 formatos (PDF, ePub e Mobi) e a versão para Kindle (Mobi) é muito boa apesar de uns poucos probleminhas de layout que não comprometeram a leitura.

Você pode comprar o livro diretamente no site da autora por $39. É um pouco caro mas pode ser útil para quem tem planos de começar algo em paralelo.

O Melhor da Internet…

… pelo menos na minha opinião 🙂

Desde criança fui uma pessoa curiosa. Na época eu era chamado de “nerd” ou de “CDF” (pra ser nerd hoje basta gostar de Star Wars).

Procurar informações para satisfazer essa curiosidade nos anos 80 significava garimpar informações como um mineiro procura por ouro. A gente usava bancas de revistas, bibliotecas, sebos, livrarias, televisão, rádios, etc. E boa parte disso só estava disponível para quem podia pagar.

Mesmo sendo trabalhoso era bem divertido e gratificante buscar informações desse jeito. A gente ia atrás das informações e não o contrário.

Online: information overload

A primeira vez que consegui uma informação no mundo digital foi via BBS. Fiquei superfeliz por encontrar a lista de interrupções do Ralf Brown. Uma BBS tem toda informação que cabia em alguns CDROMs no computador do dono da BBS e isso já era muito mais do que um ser humano curioso podia lidar.

Quando tive contato com a Internet, com os buscadores (Cadê?, Yahoo!, …) e, posteriormente, com os feeds a coisa saiu do controle. Hoje eu tenho na minha lista de leitura uma quantidade de conteúdo suficiente para consumir durante toda minha vida. E a coisa não para de crescer.

Hoje eu assino vários feeds, sigo várias pessoas importantes, assino muitas newsletters e uma boa fila de livros para ler… o volume de informações que chega é absurdo e, por causa disso, precisei criar algumas regrinhas para melhorar a gestão disso tudo.

Gestão de consumo de informação

Uso três técnicas para me ajudar nessa tarefa: filtragem humana, fila de leitura, deduplicação e priorização por pares.

Filtragem humana

A quantidade de informação para ser consumida cresceu de modo tão intenso que precisei criar mecanismos para filtrar só aquilo que fosse relevante. E é aí que o bicho pega. Se antigamente era difícil garimpar informação na escassez o mesmo se mostrou muito mais difícil na abundância.

Alguns sistemas digitais até te ajudam nessa tarefa (ex. buscadores) mas nada supera os sistemas de “computação humana” (Human Computation).

Quando o Google Reader existia e tinha a funcionalidade de compartilhar artigos entre os seus usuários comecei a implementar um tipo de “filtragem humana”. Descadastrei de vários feeds que meus amigos acompanhavam e passei a ler apenas o que eles compartilhavam. Exemplo: eu assinava o feed do XKCD junto com outros colegas e eles viviam compartilhando as melhores tirinhas. Descadastrando o feed e seguindo esses colegas eu teria disponível só às melhores tirinhas e controlaria o aumento da minha fila de leitura.

Hoje eu faço isso com o Twitter. Dou follow em amigos que seguem sites importantes e sigo alguns sites importantes para compartilhar o conteúdo com eles. O interessante é que ninguém planejou isso. Foi algo criado organicamente.

Outra forma de filtragem humana é a “editorial”. Alguém muito bem informado ou comunidades se reunem para determinar a relevância das informações.

Os sites que melhor trabalham isso em comunidades são os agregadores (ex. Hacker News, Reddit, …) e sites de QA (ex. StackOverflow, Quora, …). Já as pessoas que fazem esse trabalho de forma individualizada, geralmente, usam blogs ou newsletters.

Fila de leitura

Não dá pra parar para ler todas as coisas interessantes que aparecem no momento que elas aparecem. Digo mais: não dá nem para avaliar se essas coisas são importantes ou não. Então eu faço o básico: mando o link direto para minha fila de leitura.

Uso o Instapaper como ferramenta para gerenciar essa fila mas também tem o Pocket. Acho que o Pocket é tecnicamente melhor mas o importador deles é uma porcaria e como o Instapaper me atende satisfatoriamente continuo com eles.

Tenho Instapaper no celular e usava a funcionalidade de exportar para Kindle (parei porque o kindle também já está entupido de coisas pra ler).

A tática para manter a lista de leitura em um tamanho administrável é: algumas vezes por semana tenho como objetivo ler mais artigos do que adicionei desde a última pausa para leitura.

Nem sempre é possível cumprir essa meta e o resultado é que tenho aproximadamente 400 artigos para ler.

Deduplicação

Se percebo que uma fonte de informação está só duplicando informações que já chegaram até mim por outras vias eu reavalio esse canal. Se o nível de duplicação que ele acrescenta é grande eu simplesmente desligo esse canal.

Priorização por pares

Eu priorizo a leitura do conteúdo pelo número de pares (pessoas) que recomendaram o mesmo material. Exemplo: três amigos cuja opinião literária eu respeito muito indicaram o mesmo livro (ebook). Isso e o fato de que Ridley Scott está fazendo um filme com a história desse livro obviamente fizeram eu comprá-lo e começar a ler.

O Melhor da Internet

Com esse método acabo esbarrando em coisas muito interessantes que acabo compartilhando no meu Twitter. Mas para facilitar a vida das pessoas resolvi criar uma newsletter: O Melhor da Internet.

Agora você pode me usar como filtro humano 😀

Quinzenalmente farei um resumo contendo links e uma breve descrição dos melhores artigos e sites que vi desde que comecei a usar a internet. Vou priorizar material recente mas posso incluir coisas antigas que sejam relevantes. Esse resumo será enviado para o email dos assinantes que se cadastrarem no formulário abaixo.

Os tópicos principais serão:

  • Programação – Python, Django, Web, TDD, …
  • Empreendedorismo – side-project, bootstrap, lifestyle business, passive-income-de-verdade, …
  • Carreira – produtividade, boas práticas profissionais, …
  • “Off-topic” – DIY/eletrônica, retrocomputação, jogos, tirinhas, …

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O plano é publicar a primeira edição sai no dia 21 de julho de 2014.

Foto: lecates

Resenha de livro: Remote

Desde o começo do ano eu estou trabalhando em Curitiba para uma empresa de São Paulo. É a primeira vez que estou trabalhando realmente de forma remota.

Por problemas de falta de espaço em casa eu trabalho em um espaço de coworking com mais 3 desenvolvedores da mesma empresa. É quase como se fosse uma filial da empresa em Curitiba com a diferença de que a opção de ficar em casa também é aceita.

Mas não está muito fácil. A cultura do trabalho remoto é muito nova na empresa e ela está sendo criada junto com outras medidas de melhoria: adoção de metodologias ágeis, boas práticas no desenvolvimento de projetos, migração da mentalidade “serviço” para uma mentalidade “produto”, entre outras.

O fato é que durante esse ano a interação e a produtividade da equipe não foi a melhor possível e resolvi investigar a situação para tentar encontrar os problemas e sugerir mudanças.

Em conversas preliminares e por experiência própria (quando trabalhei na Conectiva) pude perceber que para uma empresa funcionar bem com equipes remotas ela precisa funcionar “remotamente” mesmo entre as pessoas que estão debaixo do mesmo teto.

Na Conectiva, por exemplo, boa parte da comunicação da empresa se dava via e-mail (individuais ou em listas de discussão) e salas de chat (IRC interno). As pessoas se esforçavam para usar bem esses canais ao tratar de quase todos assuntos. Existiam canais e listas até para “piadas de corredor”. Adotar o modelo de trabalho remoto, na Conectiva, seria moleza.

Esse raciocínio foi ratificado posteriormente por um amigo que trabalha na Canonical. Onde todos trabalham remotamente.

Na empresa onde eu estou isso não acontece. Ainda existe muito “apego” à conversa olho-no-olho e à reuniões presenciais e isso, certamente, é o que está causando dificuldades na nossa equipe.

Tentando entender mais sobre esse assunto eu adquiri o livro Remote escrito pelos fundadores da 37signals e autores de outros livros muito bacanas: Rework e Getting Real (digital gratuíto ou impresso).

Remote

RemoteA 37signals é uma empresa que tem um escritório em Chicago onde a maior parte da equipe nunca aparece. Todos podem trabalhar remotamente por lá. Por conta disso eles resolveram abordar esse assunto que ainda gera muita desconfiança dentro das empresas.

O livro é bacana e tem um bom apanhado sobre todos os aspectos do trabalho remoto. Tudo é tratado de forma bastante aberta, franca e honesta. Eles mostram as vantagens mas também mostram as desvantagens dessa modalidade de trabalho e dão algumas dicas práticas para amenizar (mas não solucionar) essas desvantagens.

Ele também desmistifica alguns assuntos tanto para empregadores quanto para empregados. Bobagens como “trabalhadores remotos podem ganhar menos” ou “trabalhar remoto é moleza porque posso trabalhar menos” são destruídas pelo texto.

Os livros da 37signals sempre tem muitos capítulos curtos e sucintos com ilustrações interessantes separando os assuntos. Esse não é diferente. São 38 capítulos (com 1 ou duas páginas apenas) divididos em 5 partes principais:

  1. Beware the Dragons – porque o trabalho remoto pode ser bom para todos? Como a tecnologia viabilizou o trabalho remoto para diversos tipos de profissão? Como iniciar a implementação do trabalho remoto?
  2. Hiring and Keeping the Best – como contratar profissionais para trabalhar nessa modalidade de trabalho? Como o trabalho remoto se torna um ótimo atrativo para contratar os melhores?
  3. Managing Remote Workers – como gerenciar equipes remotas? como lidar com cada integrante da equipe individualmente?
  4. Life as a Remote Worker – como trabalhar remotamente? Como organizar melhor o tempo? Como construir o ambiente de trabalho?
  5. Conclusion – “os finalmentes” 😀

Adquiri a versão digital e li no Kindle. Foi bem legal e a versão digital tá bem diagramada.

O plano agora é enviar uma cópia para os chefes. Porque fazer isso dar certo depende de um esforço de todos.

Resenha de Livro: Dono

Quando trabalhava com Linux na Conectiva tive contato com um cara chamado Marcelo Toledo. Ele era da área de tecnologia e usava Linux em suas empreitadas. Por alguns anos a gente perdeu o contato e ele seguiu com seus projetos e eu com os meus.

No ano passado eu fui convidado para trabalhar como CTO da Kanui, uma empresa da Rocket Internet, e acabei “esbarrando” com o Marcelo nos corredores do prédio onde a maioria das empresas do grupo ficam sediadas.

Eu não o reconheci imediatamente mas ele me reconheceu e me cumprimentou. Ele era Founder da Payleven (também do grupo Rocket) e fazia questão de, sempre que possível, bater um papo sobre tecnologia comigo.

O Marcelo fundou e/ou foi CTO de algumas startups de sucesso. A mais conhecida delas certamente foi a Vex (que fornecia hotspots WiFi em locais públicos).

Como eu já trafegava no meio de startups, tecnologia e de assuntos relacionados a empreendedorismo continuei acompanhando o trabalho dele mesmo depois que saí da Kanui.

Foi quando soube que ele estava preparando um novo livro que contaria tudo o que ele sabe sobre a criação de startups no Brasil.

Empreendedor e Dono

DonoTerminei de ler o livro “Dono” ontem de noite e gostei bastante do conteúdo. Ele é ideal para empreendedores que planejam se lançar na aventura de construir uma startup usando metodologias conhecidas por Business Model Generation (também em versão traduzida) e Lean Startup (que também foi traduzido).

Também dá várias dicas práticas sobre assuntos relacionados à Venture Capital, investidores, rounds de investimentos, etc.

O livro é bastante completo e prático e recomendo ele como primeiro livro para compreender esse universo. Eventualmente será necessário buscar informações complementares em livros que ele também recomenda.

O livro tem prefácio muito legal do Nizan Guanaes e um depoimento do João Doria Jr. e é dividido em três partes principais: Aprender, Executar e Crescer.

Na primeira parte ele conta um pouco da história dele como empreendedor, define o que é uma startup, fala sobre o valor de uma idéia (muito pouco) e de uma boa execução. Também dá uma pincelada em assuntos que você certamente precisará dominar se decidir embarcar nessa aventura.

Na parte de execução ele nos convida para por a mão na massa e desenvolver a nossa startup desde o business model (modelo de negócio) até a criação da empresa (incluindo aí as etapas de Desenvolvimento de Cliente, Validação de Cliente, Ajuste Produto/Mercado e Produto Mínimo Viável. Todos conceitos do modelo Lean Startup.

Passada essa fase de execução você provavelmente estará pronto para desenvolver o seu negócio e faze-lo crescer. E mais um conjunto grande de aprendizado precisa estar garantido no seu arsenal: aquisição de clientes, métricas, investimentos, fluxo de caixa, EBITDAs e P&Ls… Todas essas coisas que parecem muito assustadoras que são desmistificadas no livro com uma linguagem simples e direta ao ponto.

O autor também disponibiliza muito material de apoio no site do livro.

Minha opinião sobre esse modelo de startup

Recentemente eu tenho acompanhado o desenvolvimento de startups que preferem uma abordagem mais conhecida como side-project ou bootstrap. E desde que comecei a prestar atenção em startups que nasceram com esse mindset pude notar que o crescimento delas é geralmente menor que o de uma empresa que recebe investimentos mas é um crescimento constante e sustentável no longo prazo.

Já não tenho mais tanta “fé” no universo de startups inspirada no modelo “Vale do Silício” onde se fala muito em anjos, aceleradoras, pitches, VCs, seed, rounds, e outros “blablablás”.

Esse universo é tão grande e cheio de coisas para nos preocuparmos que fatalmente deixamos de focar na coisa que mais importa: o nosso negócio.

No modelo side-project/bootstrap você (e seus sócios) ficam responsáveis por viabilizar a empresa e levá-la adiante até o seu crescimento. Quando vocês optarem por aceitar a ajuda de um investidor será apenas para melhorar ou acelerar aquilo que já daria certo de qualquer forma.

Além disso aqui no Brasil tem muito “acelerador”, “anjo” e “investidor” que prefere explorar a boa-fé do empreendedor à ajudá-lo a crescer e melhorar seu negócio.

Por último é importante deixar claro que existem certos tipos de startups que são  inviáveis ou extremamente difíceis de se levantar sem o aporte de investimento externo.

À Procura da Felicidade

Um dos filmes mais bacanas que assisti nos últimos anos foi o “À Procura da Felicidade”, estrelado pelo excelente ator Will Smith e por seu filho Jaden Smith.

O filme conta a história de vida do empresário e investidor Chris Gardner desde quando ele começou a sua jornada rumo ao sucesso e à felicidade. O filme mostra uma parte muito difícil da vida de Chris Gardner quando ele teve que morar nas ruas junto com seu filho.

À Procura da FelicidadeMe interessei pela história e descobri que o filme tinha sido baseado em sua biografia publicada em livro. Foi o primeiro livro em português que li inteiramente em formato digital (adquirido na Kindle Store brasileira).

Então vamos ao livro…

Primeiro que, como já era de se esperar, o livro é bem mais abrangente com relação à vida de Chris Gardner do que o filme. O livro cobre desde a infância na casa de uma tia, quando recebia visitas temporárias de sua mãe (ela passou alguns períodos presa por ter revidado às agressões de seu marido), e vai até quando ele se encontrou pessoalmente com Nelson Mandela.

O livro tem partes bem pesadas como a que mostra que ele foi vítima de estupro durante sua adolescencia. Mostra as dificuldades de se viver como negro, pobre, vítima de um padrasto violento, etc.

A parte narrada no filme é um trecho bem pequeno do livro (menos do que a metade final).

O filme também “inventa” algumas partes que não aparecem no livro: a parte em que ele resolve o Cubo de Rubik e a parte onde ele cita o trecho da constituição norte-americana que fala sobre “a procura pela felicidade” não aparecem explicitamente no livro. Essas partes podem ter sido incluídas no filme com a ajuda do próprio Chris (que trabalhou como consultor durante as filmagens).

O filme também dá uma embaralhada em algumas partes da história: no filme ele ainda tinha máquinas médicas para vender quando já morava na rua. No livro ele já tinha abandonado o negócio de máquinas médicas e já tinha começado como estagiário em uma empresa de investimentos quando foi morar na rua.

Enfim… o livro é mais completo, real e “cru”. O filme é mais poético. Talvez por isso esse é um dos poucos casos onde acho o filme melhor do que o livro. O filme consegue passar melhor as mensagens de superação, força de vontade e determinação.

À Procura da Felicidade

Série Inteligência

Perluigi Piazzi ou, simplesmente, Prof. Pier é um famoso professor de física e pioneiro no uso de computadores na década de 80. Ele foi editor ou autor dos primeiros livros sobre MSX no Brasil (publicados pela editora Aleph especializada em títulos sobre SciFi).

Prof. PierRecentemente eu redescobri (ou seria reencontrei?) o Prof. Pier quando estava lendo alguns artigos “for Dummies” sobre aprendizado e neurociência. Estava lendo sobre esses assuntos porque sempre me interessei por questões relacionadas ao ensino e ao aprendizado, e porque agora sou pai de duas crianças lindas e inteligentes.

No meio das várias abas do meu navegador tinha uma apontada para um site que falava sobre Neuropedagogia. Imaginem a minha surpresa ao ver que o site era mantido pelo Prof. Pier! O mesmo que me ensinou (através de seus livros) a programar computadores. A minha profissão.

O material do site é excelente e dá uma boa noção sobre a Neuropedagogia. Resolvi que eu deveria me aprofundar no assunto e comprei a série inteira que ele escreveu sobre esse assunto.

A série tem 3 livros:

  1. Aprendendo Inteligência – voltado para alunos que queiram entender o funcionamento do cérebro no processo de aprendizado. A abordagem é um pouco mais superficial e direcionada a estudantes.
  2. Estimulando Inteligência – voltado para os pais. Os pais são parte importante do processo de aprendizagem e nesse livro eles encontrarão o conteúdo explicado no Aprendendo Inteligência e a complementação necessária para eles auxiliarem os seus filhos no processo.
  3. Ensinando Inteligência – voltado para profissionais da educação. É o mais completo de todos. Repete algum conteúdo dos dois anteriores com mais profundidade e complementa com informações importantes para profissionais de pedagogia.

Os 3 livros são fartamente ilustrados, a leitura é extremamente agradável e fácil, as referências para outras obras (inclusive de SciFi) é enorme e as dicas são valiosíssimas.

Lá em casa a gente já adotou algumas das práticas sugeridas e é perceptível a diferença. Pretendo levar as sugestões para a escola onde ele estuda. Os livros são tão bacanas que não para na minha estante… todo mundo pede emprestado 😀

Um assunto que me interessa, escrito de forma inteligente por uma pessoa que fez parte da minha formação. Imperdível.

A Startup de $100 e minha nova vida

Esse post reinaugura a minha sessão de reviews e escolhi o livro “Startup de $100” do Chris Guillebeau porque foi o livro sobre empreendedorismo que mais gostei de ler recentemente. Gostei dele porque ele fala sobre um tipo de empreendedorismo que eu conhecia pouco e que tem tudo a ver com meu estilo de vida atual.

Tempos atrás, enquanto trabalhava na minha empresa, eu lia e me informava sobre tudo no mundo das Startups e me tornei um “startupeiro”. Startupeiro é aquele cara que sabe sobre todas as novas startups, investimentos, aquisições, IPOs e fala sobre aceleração, anjos, seeds, rounds, etc. Participa de editais de governos, eventos de pitches, etc. Mas… um startupeiro jamais cria um negócio viável de fato porque ele fica distraído com esse monte de coisa e não foca na criação de seu negócio. Fiquei nessa levada por uns 3 anos e notei que minha empresa nunca desenvolveu nada de grande valor. Só andei de lado.

No final de 2011 notei que minha família, que sempre me apoiou, começou a se cansar desse ritmo de vida que eu estava levando: ausente, estressado, sem grana e sem perspectiva de que as coisas melhorariam. Ao mesmo tempo o mercado de trabalho para desenvolvedores estava bombando. Empregos bons, bons salários, falta de mão de obra com minhas qualificações, etc.

Via a minha família no aperto e meus filhos sentindo a ausência do pai. Eu tinha que decidir: insistir com a empresa, manter a empresa como atividade paralela, ou ficar apenas como empregado?

Optei pelo canal intermediário e isso funcionou (mal e porcamente) por quase um ano até eu sofrer uma queda de moto. O acidente fez com que eu começasse a valorizar ainda mais a minha família e a minha saúde. Por conta disso iniciei um plano de desaceleração que incluia: conseguir um bom emprego (check), fechar todos os meus negócios (doing) e terminar meu mandato na APyB (doing). Ficaria apenas com meu emprego e alguns hobbies.

A Startup de $100

capa-livro-startup-de-100-dolaresVocê deve estar pensando: “tá, mas vc decide deixar de empreender e compra um livro sobre empreendedorismo?”.

Foi o acaso que me trouxe esse livro. Eu havia viajado a trabalho e esqueci de colocar alguma coisa para ler em minha bagagem. Na livraria do aeroporto eu vi esse livro em promoção e resolvi comprar para ler. Alguns amigos haviam comentado que o livro era legalzinho então não tinha muito risco de desperdiçar o dinheiro.

Comecei a ler no aeroporto mesmo. Terminei de ler em 3 dias.

Esse livro me mostrou um novo jeito de se pensar sobre empreendedorismo que parece funcionar muito bem com meu novo estilo de vida. Um tipo de negócio que não precisa ser grande, não precisa de investimento externo (bootstraping), não precisa ocupar muito tempo da sua vida e ainda pode ser lucrativo.

O autor mostra, na prática, as etapas de planejamento e criação desse tipo de negócios e ilustra essas etapas com casos reais. Pessoas que começaram suas empresas com muito pouco e sem muitas pretensões e, hoje, conseguem trabalhar com o que gostam.

A leitura é muito leve, agradável e, por conta da abordagem prática usada, muito útil. O meu está cheio de marcadores de páginas com trechos interessantes.

Os capítulos falam sobre tipos de negócios, o tipo de investimento que você precisa fazer, que tipo de retorno você pode esperar, como planejar e iniciar as atividades, etc. Um dos capítulos fala até sobre franquias (ele diz que franquia é um emprego que você compra).

A tradução não é a melhor que já vi mas não compromete a leitura. Quem consegue ler em inglês pode aproveitar o preço mais baixo dos ebooks na Amazon.

The $100 Startup: Reinvent the Way You Make a Living, Do What You Love, and Create a New Future

A Startup de $100: Abra o negócio dos seus sonhos e reinvente sua forma de ganhar a vida.

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Livro Python e Django

Capa do Livro Python e Django
Python e Django — Desenvolvimento ágil de aplicações web

Demorou mas finalmente conseguimos publicá-lo: Python e Django — Desenvolvimento ágil de aplicações web.

Agora posso dizer: escrever um livro dá um trabalho enorme. Mesmo dividindo a autoria com meu amigo Thiago Galesi.

A história desse livro também é interessante: ele era um livro de Python que comecei a escrever e nunca consegui terminar. Aí surgiu uma demanda para que a Triveos criasse um curso de Python e Django e então decidimos reaproveitar esse material para usar como base da apostila do curso.

Quando a gente terminou a apostila gostamos tanto do resultado final que resolvemos enviar para a editora Novatec avaliar o material. O Rubens Prates (nosso editor) gostou do material e o resto é história.

Vai ser o segundo livro de Django no Brasil (o primeiro é o “Aprendendo Django no Planeta Terra” do Marinho Brandão) e o primeiro a ser publicado e vendido em livrarias.

Para o lançamento a editora está dando 25% de desconto nas compras diretas no site deles. Para obter o desconto basta digitar o código promocional TTPY.

Se você for participar da PythonBrasil[6] também poderá comprar um livro e pedir para que os autores o autografem.

A gente espera que vocês gostem do livro e que nos digam o que acharam dele. Pode ser aqui no blog ou lá no site do livro mesmo.

Um último recado: o livro tem a mesma organização do nosso curso online de desenvolvimento web com Python e Django que ainda está com preço promocional de pré-venda em nossa loja no site Ludeos.

A Lição Final

A Lição Final

Dia desses eu estava trabalhando e ao olhar na barra do meu Google Talk eu vi que o Guido van Rossum (criador da linguagem Python) havia colocado o endereço de um vídeo no Youtube. Achei que era algum vídeo legal sobre Python e resolvi abrir.

Era o vídeo de uma palestra de um professor norte-americano que trabalhava na área de tecnologia de realidade virtual. Até aí nada de mais (eu sequer me interesso pelo assunto).

Continuei a assistir o vídeo por mais um tempo mais por “fé” na indicação do Guido do que por qualquer outra razão. Em certo momento do início da apresentação o professor, chamado Randy Paysch, mostra um Raio-X do fígado dele onde se conta 10 tumores e ele diz que tem entre 3 e 6 meses de vida.

Ele então começa a falar sobre sonhos e sobre como realizá-los. Sua habilidade como orador é invejável. Continuo assistindo a palestra. Me emociono.

Semanas depois leio na revista Época que esse vídeo havia se tornado uma febre no Youtube e que o professor Pausch estava preparando um livro com o conteúdo dessa mesma palestra juntamente com um amigo. Pensei (me esquecendo que o cara estava condenado à morte): pronto, mais um livro de auto-ajuda que vai deixar o autor rico.

A algumas semanas atrás fiquei sabendo que o professor faleceu e em uma de minhas passeadas em livrarias pude ver que uma tradução do livro já estava disponível no Brasil. Voltando do Rio de Janeiro, onde havia participado da PyConBrasil 2008, resolvi comprar o livro pra ler durante a viagem de volta.

A coincidência

Lendo o capítulo “24. O tolo que se redimiu”, onde o professor conta a história de um de seus alunos (chamado Tommy) que era fã de Guerra nas Estrelas e sonhava em trabalhar na produção dos filmes da saga, eu esbarro no seguinte trecho (página 135):

Quando me transferi para a Carnegie Mellon, todos os membros da equipe da Universidade da Virgínia me acompanharam — menos Tommy. Ele não podia se mudar. Por quê? Porque fora contratado pela Industrial Light & Magic, a companhia do produtor/diretor George Lucas. E note-se que ele foi contratado não por causa do seu sonho, mas sim por suas habilidades. No período em que participou do nosso grupo de pesquisa, Tommy se tornou um destacado programador de linguagem Python (grifo meu), por sorte dele a linguagem escolhida pela empresa de Lucas. E sorte mesmo é quando o preparo se une à oportunidade.

Não é coincidência? Eu conheço o cara através do criador do Python e voltando de uma conferência de Python eu leio que um dos alunos do cara realizou o sonho de trabalhar na Industrial Light & Magic porque conhecia Python.

O livro

No geral o livro é um complemento ao vídeo e foi escrito, segundo o autor, como uma forma de deixar uma mensagem para os seus filhos.

Seria um típico livro de auto-ajuda se não fosse a biografia de um professor que deixou uma mensagem muito bonita para sua família pouco antes de morrer. É um livro onde se encontra muitos “clichês”, muitos momentos piegas e que muitas vezes emociona o leitor (principalmente aqueles que já são pais).

Ele tem uma encadernação muito bonita com capa dura e um tamanho reduzido que o torna excelente para presentear os amigos. Por se tratar de um livro barato cuja leitura é muito rápida (li ele em 1 dia) eu recomendo a todos que tem seus sonhos e gostariam de realizá-los. Mais ainda àqueles que tem filhos.

Para comprar:

Submarino (mais barato no momento em que faço esse post)

Livraria Cultura

Lojas Americanas (dica do Prof. Marco André)

Computação Científica com Python

Computação Científica com PythonAdquiri esse livro através do site Lulu.com e fiquei triplamente surpreso. Primeiro eu achei a idéia do site genial, segundo porque eles fizeram tudo certinho na minha compra e terceiro porque o livro é superbacana.

Depois de ter comprado mas antes de ter recebido o livro eu conheci o autor na PyConBrasil 3 que aconteceu esse ano em Joinville. Lá eu tive a oportunidade de folhear o livro e ver que ele está muito bem diagramado e com a aparência bastante profissional (exceto talvez pela capa que não permite a fácil leitura do título do livro).

Voltando pra casa depois de minhas férias eu tive a oportunidade de iniciar a leitura do livro. Ele começa com uma introdução muito boa de como se programar em Python que me parece bastante útil para o público científico ao qual se destina o livro (afinal, nem todo cientista/pesquisador sabe programar). Honestamente eu fiz uma “leitura dinâmica” dessa parte do texto porque eu já conheço a linguagem. Mas baseando pelos tópicos abordados e pelos poucos tópicos que eu li eu posso deduzir que a qualidade do resto é muito boa.

Mas a parte que eu mais me esbaldei mesmo foi com a segunda. Minha base acadêmico-científica tende a zero já que sequer consegui me graduar e tudo o que sei de áreas como biologia, química (ugh!), física (só a elétrica) e matemática foi o que aprendi sozinho.

Dito isso eu posso dizer que eu não só vi bibliotecas que eu sequer conhecia para Python como também tive uma aula introdutória sobre assuntos que eu nem imaginava que iria aprender em um livro sobre Python.

É claro que como o público do livro circula nos meios científicos o autor não se esforça demais em facilitar a leitura para um leigo como eu. Mas com um pouquinho de esforço (que eu dediquei) até mesmo um não-iniciado pode lidar bem com os temas abordados.

Enfim, é um livro que não decepcionaria nem um cientista/pesquisador nem um leigo-esforçado como eu. Escrito por um autor brasileiro de forma muito agradável e publicado e vendido por um site americano que tem uma proposta incrível. É tudo de bom* 🙂

Para comprar: Computação Científica com Python
* exceto a capa 😛 🙂