Democracia não funciona

Sim! Eu voltei! 🙂

Conforme prometido irei comentar aqui porque acho que a democracia não funciona. Os ‘democratas’ de plantão certamente ficarão horrorizados com esse tópico aí em cima e para que não venham queimar bandeiras e fazerem protestos pró-democracia na frente de minha casa vou explicar detalhadamente o que eu quero dizer com isso.

Eu adoro poder votar em meus candidatos, acompanho política, tenho um partido do coração e respeito as diferenças entre as opiniões. Nada mais democrático que isso, não? Pois é. Eu gosto da democracia e acho que para um país como o Brasil a democracia é o menos-pior dos sistemas.

Mas de maneira incrível a mesma democracia que garante que todos os interesses da população sejam sempre não-contrariados também é a democracia que ‘freia’ a evolução. A democracia complica a evolução porque a evolução implica em mudanças e mudanças sempre incomodam grupos que estão satisfeitos com a situação atual.

Quando falamos de tecnologia estamos tratando de um assunto que evolui numa velocidade tão grande que as pessoas ‘de fora’ dessa área costumam chamar essas evoluções de ‘revoluções’.

Ok. Trazendo essas coisas para o nosso mundo-real e mais especificamente para o universo do Software Livre podemos notar que os projetos de maior sucesso do mundo estão sob a tutela de algum ‘ditador’.

É o caso do Linux que segue a trilha de Linus Torvalds, o Mono/Gnome que acompanha o Miguel de Icaza e alguns outros casos por aí. Do outro lado das ‘ditaduras’ está a democracia. É o caso do projeto Debian que é, na minha opinião, o projeto que melhor funciona no modelo democrático de gestão. Pois bem, acredito que deva fazer mais de anos que o projeto Debian não lança um release stable de sua distribuição (apesar de saber que a versão unstable do Debian costuma ser muito melhor que versões considerada estáveis de outras distribuições não bem esse o ponto que quero discutir neste post).

O JCP é outro exemplo de democracia. Essa democracia quase que ‘pregou uma peça’ na plataforma Java fazendo com que o Java 1.5 (Tiger) chegasse apenas muito depois do C# da plataforma .NET da Microsoft que, de forma ditatorial, construiu uma excelente linguagem de programação que possuia todas as funcionalidades disponíveis em Java (a linguagem, não a plataforma) e mais algumas outras de muita utilidade que não estavam disponíveis em Java.

Em Python nós temos um ditador. O nome dele é Guido van Rossum. É ele quem veta ou ‘sanciona’ as alterações na linguagem. Ele ganhou esse direito porque ele é a pessoa que tem em mente o ‘alvo’ (target) da linguagem Python. Ele é um ditador ‘benevolente’ porque ele permite que todos dêem sugestões sobre funcionalidades que Python deve ter ele não ‘prende nem manda matar’ quem discorda dele e quando confrontado com bons argumentos ele tranquilamente os aceita.

Isso faz dele uma pessoa com muitos méritos e a partir da palavra ‘mérito’ que chego ao modelo que eu acho perfeito: meritocracia.

Infelizmente numa escala maior (como no Brasil) é muito difícil implementar uma meritocracia.

Publicado por

Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, Empreendedor, dono de uma motocicleta esportiva, hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano

  • Apenas uma correção, quando você cita o Linus como ditador, você se refere ao GNU/Linux. Sem querer entrar na discussão de como deve ser chamado, nesse caso especificamente, seria APENAS Linux, que é o que o projeto ao qual o Linus é ditador. O GNU/Linux (segundo RMS) engloba muito mais coisa do que apenas o kernel linux. O Linus é ditador apenas do kernel linux, e esse é (e deve ser) chamado apenas de Linux mesmo.

  • Certinho. Já corrigi. Obrigado.