Eu e a comunidade Python

O Eric Hideki começou a levantar a história da comunidade Python brasileira e pediu que as pessoas que participaram desde o início pudessem colaborar com o projeto dele.

OBS. Não tive tempo de revisar esse texto antes de publicar. Assim que conseguir um tempinho prometo corrigir os problemas. Até lá, se encontrou algo grave, me manda um email.

Eu e Python

Eu conheci a linguagem Python em 2000 quando trabalhava na Conectiva (criadora do Conectiva Linux). Eu estava trabalhando (em C) num projeto que unificava as configurações de vários gerenciadores de janela suportados pela Conectiva (KDE, Gnome, WindowMaker, etc).

Eu parseava um arquivão de configurações genérico e gerava as configurações para cada um deles.

Fazer isso em C estava dando bastante trabalho e meu chefe (Cavassin) me mostrou a tradução que ele tinha feito de um mini-tutorial de Python do Magnus Lie Hetland.

Levei o artigo pra casa e tentei usar o projeto em que estava trabalhando para aprender a linguagem.

Em uma noite eu consegui implementar em Python tudo o que eu já havia feito em duas semanas de trabalho em C.

Comunidade

Quando eu deixei a Conectiva fui obrigado a trabalhar com Java e não conseguia conceber a razão pela qual as pessoas sofriam tanto com uma linguagem sub-ótima.

Com o passar dos meses eu fui percebendo que as pessoas usavam Java porque várias pessoas também usavam Java: a comunidade Java.

Como criar uma comunidade?

Comecei a pesquisar na internet e encontrei alguns núcleos e pequenos grupos de usuários Python. O mais consistente se encontrava no grupo “python-br” do Yahoo! Groups. Outro grupo que era bem ativo era do TcheZope no RS.

Como eu nunca mexi com Zope resolvi focar em participar da “python-br” cujo administrador “desapareceu” juntamente com o acesso de admin do grupo. Como a gente não tinha o admin desse grupo e começamos a receber muito spam nele decidimos criar a “python-brasil” (ainda no Yahoo! Groups) onde passei a ser o moderador principal (depois recebi ajuda do Pedro Werneck, do Andrews Medina e de mais alguns outros).

Quando eu criei essa lista ela não tinha mais do que 400 assinantes. Quando deixei a moderação ela tinha mais de 3000.

Muitas perguntas que chegavam no grupo eram repetidas e para não ter que ficar respondendo uma por uma achamos melhor criar um site para agrupar o material de Python nacional.

Um dos participantes do grupo (Marco Catunda) criou uma instância com Plone e apontamos um hostname para lá (a gente não tinha domínio próprio ainda). O problema é que ninguém configurou usuários e permissões do Plone corretamente e o Marco andava muito ocupado para fazer isso. Então ficou bem difícil alimentar o site com conteúdo.

Em paralelo a isso eu descobri os Wikis (em especial o MoinMoin que é feito em Python) e resolvi instalar um no provedor onde eu trabalhava. Coloquei alguns artigos que eu havia escrito no site e “lancei” a idéia no grupo que o abraçou. O primeiro site de Python da comunidade brasileira estava no ar. O endereço? http://python.rantac.com.br 🙂

Como o wiki é livre e, na época, não precisava nem de usuário para colocar ou editar conteúdo a coisa foi crescendo bastante e se tornou o principal site da comunidade…

Não demorou muito para que a gente tivesse motivos para se reunir e conversar sobre Python.

O Rodrigo Senra, que estudava na Unicamp conseguiu o espaço e infraestrutura para um dia de evento: PyConDay… Mas o grande número de palestras submetidas logo demandou mais um dia de evento… E a PyConDay passou a ter dois dias e a se chamar PyConBrasil (posteriormente, por sugestão do Luciano Ramalho renomeamos o evento para PythonBrasil).

O Senra cuidou de tudo praticamente sozinho e se auto-entitulou “Big Kahuna” do evento. Por tradição esse é o título concedido à todos aqueles que se aventuraram na organização de uma PythonBrasil.

Associação

Tudo o que fazíamos, na época, era feito na raça e com recursos próprios. E isso dava um trabalho enorme… Passamos a enfrentar alguns contratempos para organizar os eventos, para manter o site no ar, renovar domínios, etc.

A coisa toda ficou muito individualizada: o Osvaldo moderava a lista, mantinha o domínio pythonbrasil.com em seu próprio cartão (na época precisava ter CNPJ para adquirir um domínio .com.br e/ou ser uma organização sem fins lucrativos para ter um .org.br).

Começamos a esboçar a Associação Python Brasil para dar suporte para a Comunidade. Em 2007, depois de muita cabeçada, idas e vindas, burocracia sem fim (thanks Luciano Ramalho e Dorneles Treméa), fundamos a APyB.

Fundação da APyB

Eu sempre fui conselheiro da APyB e cheguei até a presidi-la por um mandato. É trabalhoso e razoavelmente chato gerir ela. Mas depois que nos acostumamos e ganhamos prática fica até automático.

A Fila Anda

Com o passar dos anos envolvidos com a comunidade eu comecei a ficar um pouco cansado e estava preocupado com a continuidade disso tudo. Eu também achava que novas pessoas surgiriam se eu fosse embora e “liberasse o espaço”.

Outros colegas, aos poucos, foram deixando as alavancas para outras pessoas. Novas lideranças, etc.

Eu acho que a Associação já cumpriu o seu papel. Se existissem pessoas dispostas a cuidar dela de verdade ela até poderia continuar tendo a sua utilidade.

Mas não podemos negar que a internet muda muito rápido e as comunidades ganham características cada vez mais descentralizadas. A importância de uma organização como a APyB claramente diminuiu e isso, na minha opinião, não importa muito.

Mas com o fim da APyB algumas coisas boas produzidas por ela deixarão de existir.