Resenha de livro: Remote

Desde o começo do ano eu estou trabalhando em Curitiba para uma empresa de São Paulo. É a primeira vez que estou trabalhando realmente de forma remota.

Por problemas de falta de espaço em casa eu trabalho em um espaço de coworking com mais 3 desenvolvedores da mesma empresa. É quase como se fosse uma filial da empresa em Curitiba com a diferença de que a opção de ficar em casa também é aceita.

Mas não está muito fácil. A cultura do trabalho remoto é muito nova na empresa e ela está sendo criada junto com outras medidas de melhoria: adoção de metodologias ágeis, boas práticas no desenvolvimento de projetos, migração da mentalidade “serviço” para uma mentalidade “produto”, entre outras.

O fato é que durante esse ano a interação e a produtividade da equipe não foi a melhor possível e resolvi investigar a situação para tentar encontrar os problemas e sugerir mudanças.

Em conversas preliminares e por experiência própria (quando trabalhei na Conectiva) pude perceber que para uma empresa funcionar bem com equipes remotas ela precisa funcionar “remotamente” mesmo entre as pessoas que estão debaixo do mesmo teto.

Na Conectiva, por exemplo, boa parte da comunicação da empresa se dava via e-mail (individuais ou em listas de discussão) e salas de chat (IRC interno). As pessoas se esforçavam para usar bem esses canais ao tratar de quase todos assuntos. Existiam canais e listas até para “piadas de corredor”. Adotar o modelo de trabalho remoto, na Conectiva, seria moleza.

Esse raciocínio foi ratificado posteriormente por um amigo que trabalha na Canonical. Onde todos trabalham remotamente.

Na empresa onde eu estou isso não acontece. Ainda existe muito “apego” à conversa olho-no-olho e à reuniões presenciais e isso, certamente, é o que está causando dificuldades na nossa equipe.

Tentando entender mais sobre esse assunto eu adquiri o livro Remote escrito pelos fundadores da 37signals e autores de outros livros muito bacanas: Rework e Getting Real (digital gratuíto ou impresso).

Remote

RemoteA 37signals é uma empresa que tem um escritório em Chicago onde a maior parte da equipe nunca aparece. Todos podem trabalhar remotamente por lá. Por conta disso eles resolveram abordar esse assunto que ainda gera muita desconfiança dentro das empresas.

O livro é bacana e tem um bom apanhado sobre todos os aspectos do trabalho remoto. Tudo é tratado de forma bastante aberta, franca e honesta. Eles mostram as vantagens mas também mostram as desvantagens dessa modalidade de trabalho e dão algumas dicas práticas para amenizar (mas não solucionar) essas desvantagens.

Ele também desmistifica alguns assuntos tanto para empregadores quanto para empregados. Bobagens como “trabalhadores remotos podem ganhar menos” ou “trabalhar remoto é moleza porque posso trabalhar menos” são destruídas pelo texto.

Os livros da 37signals sempre tem muitos capítulos curtos e sucintos com ilustrações interessantes separando os assuntos. Esse não é diferente. São 38 capítulos (com 1 ou duas páginas apenas) divididos em 5 partes principais:

  1. Beware the Dragons – porque o trabalho remoto pode ser bom para todos? Como a tecnologia viabilizou o trabalho remoto para diversos tipos de profissão? Como iniciar a implementação do trabalho remoto?
  2. Hiring and Keeping the Best – como contratar profissionais para trabalhar nessa modalidade de trabalho? Como o trabalho remoto se torna um ótimo atrativo para contratar os melhores?
  3. Managing Remote Workers – como gerenciar equipes remotas? como lidar com cada integrante da equipe individualmente?
  4. Life as a Remote Worker – como trabalhar remotamente? Como organizar melhor o tempo? Como construir o ambiente de trabalho?
  5. Conclusion – “os finalmentes” 😀

Adquiri a versão digital e li no Kindle. Foi bem legal e a versão digital tá bem diagramada.

O plano agora é enviar uma cópia para os chefes. Porque fazer isso dar certo depende de um esforço de todos.

Publicado por

Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, Empreendedor, dono de uma motocicleta esportiva, hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano