Resenha de Livro: Dono

Quando trabalhava com Linux na Conectiva tive contato com um cara chamado Marcelo Toledo. Ele era da área de tecnologia e usava Linux em suas empreitadas. Por alguns anos a gente perdeu o contato e ele seguiu com seus projetos e eu com os meus.

No ano passado eu fui convidado para trabalhar como CTO da Kanui, uma empresa da Rocket Internet, e acabei “esbarrando” com o Marcelo nos corredores do prédio onde a maioria das empresas do grupo ficam sediadas.

Eu não o reconheci imediatamente mas ele me reconheceu e me cumprimentou. Ele era Founder da Payleven (também do grupo Rocket) e fazia questão de, sempre que possível, bater um papo sobre tecnologia comigo.

O Marcelo fundou e/ou foi CTO de algumas startups de sucesso. A mais conhecida delas certamente foi a Vex (que fornecia hotspots WiFi em locais públicos).

Como eu já trafegava no meio de startups, tecnologia e de assuntos relacionados a empreendedorismo continuei acompanhando o trabalho dele mesmo depois que saí da Kanui.

Foi quando soube que ele estava preparando um novo livro que contaria tudo o que ele sabe sobre a criação de startups no Brasil.

Empreendedor e Dono

DonoTerminei de ler o livro “Dono” ontem de noite e gostei bastante do conteúdo. Ele é ideal para empreendedores que planejam se lançar na aventura de construir uma startup usando metodologias conhecidas por Business Model Generation (também em versão traduzida) e Lean Startup (que também foi traduzido).

Também dá várias dicas práticas sobre assuntos relacionados à Venture Capital, investidores, rounds de investimentos, etc.

O livro é bastante completo e prático e recomendo ele como primeiro livro para compreender esse universo. Eventualmente será necessário buscar informações complementares em livros que ele também recomenda.

O livro tem prefácio muito legal do Nizan Guanaes e um depoimento do João Doria Jr. e é dividido em três partes principais: Aprender, Executar e Crescer.

Na primeira parte ele conta um pouco da história dele como empreendedor, define o que é uma startup, fala sobre o valor de uma idéia (muito pouco) e de uma boa execução. Também dá uma pincelada em assuntos que você certamente precisará dominar se decidir embarcar nessa aventura.

Na parte de execução ele nos convida para por a mão na massa e desenvolver a nossa startup desde o business model (modelo de negócio) até a criação da empresa (incluindo aí as etapas de Desenvolvimento de Cliente, Validação de Cliente, Ajuste Produto/Mercado e Produto Mínimo Viável. Todos conceitos do modelo Lean Startup.

Passada essa fase de execução você provavelmente estará pronto para desenvolver o seu negócio e faze-lo crescer. E mais um conjunto grande de aprendizado precisa estar garantido no seu arsenal: aquisição de clientes, métricas, investimentos, fluxo de caixa, EBITDAs e P&Ls… Todas essas coisas que parecem muito assustadoras que são desmistificadas no livro com uma linguagem simples e direta ao ponto.

O autor também disponibiliza muito material de apoio no site do livro.

Minha opinião sobre esse modelo de startup

Recentemente eu tenho acompanhado o desenvolvimento de startups que preferem uma abordagem mais conhecida como side-project ou bootstrap. E desde que comecei a prestar atenção em startups que nasceram com esse mindset pude notar que o crescimento delas é geralmente menor que o de uma empresa que recebe investimentos mas é um crescimento constante e sustentável no longo prazo.

Já não tenho mais tanta “fé” no universo de startups inspirada no modelo “Vale do Silício” onde se fala muito em anjos, aceleradoras, pitches, VCs, seed, rounds, e outros “blablablás”.

Esse universo é tão grande e cheio de coisas para nos preocuparmos que fatalmente deixamos de focar na coisa que mais importa: o nosso negócio.

No modelo side-project/bootstrap você (e seus sócios) ficam responsáveis por viabilizar a empresa e levá-la adiante até o seu crescimento. Quando vocês optarem por aceitar a ajuda de um investidor será apenas para melhorar ou acelerar aquilo que já daria certo de qualquer forma.

Além disso aqui no Brasil tem muito “acelerador”, “anjo” e “investidor” que prefere explorar a boa-fé do empreendedor à ajudá-lo a crescer e melhorar seu negócio.

Por último é importante deixar claro que existem certos tipos de startups que são  inviáveis ou extremamente difíceis de se levantar sem o aporte de investimento externo.

Publicado por

Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, Empreendedor, dono de uma motocicleta esportiva, hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano