Software Bom e Software Livre

Alguns de meus amigos conhecem bem a minha forma de pensar sobre o assunto “Software Livre”. Eles sabem que eu sou um defensor ferrenho do Software Livre e tenho total certeza que todos os tipos de software podem ser livres (muitos desses amigos não concordam com essa parte da minha opinião).

Mas é importante notar a sutileza da palavra “pode” no parágrafo anterior. Ela significa “pode” mesmo e não “deve” porque neste caso eu estaria destruindo a liberdade do autor do software. Sim, o autor do software tem que ter a liberdade de escolher a forma que ele irá oferecer sua obra aos seus usuários. A única coisa que eu posso fazer com relação a isso é tentar convencê-lo de que é melhor pra ele distribuir a sua obra como um software livre.

Neste ponto eu chego a uma outra parte da minha opinião pessoal sobre software: Eu gosto de software bom muito mais do que de software livre. Tá, e como eu defino um software bom? Com um conjunto de características com pesos diferentes.

A principal característica que procuro em um software é flexibilidade. Depois disso procuro por funcionalidade, seguido por usabilidade e finalmente: licença de uso. Eu considero a licença de uso porque considero que o uso de software em desacordo com a sua licença é um desrespeito à seu autor (seja ele pessoa ou empresa) e adquirir a licença de alguns tipos de software é algo que não é viável financeiramente.

Mas seguindo essa linha de raciocínio você vai conseguir entender porque que, mesmo eu sendo um ferrenho defensor de software livre, muitas vezes você irá me ver usando software proprietário. Mas poderá ver também que esse software proprietário que estou usando atende aos requisitos citados acima.

Um exemplo do que eu digo é o Mac OS X da Apple. Ele é um software proprietário construido sobre um software com licença open source (e não uma licença livre, que fique claro) cuja parte open source foi devolvida à comunidade mesmo não sendo necessária essa devolução.

O Mac OS X da Apple atualmente é o sistema operacional que mais agrada aos meus requisitos e certamente eu usaria ele mesmo sendo um software proprietário (na verdade só não uso ele porque não tenho dinheiro para adquirir um equipamento da Apple). O OS X é muito flexível (bate um coração Unix em seu interior), é totalmente funcional (tudo o que preciso do mundo Linux e tudo o que o mundo proprietário me oferece pode ser usado no OS X), a usabilidade dele é simplesmente animal e o único contra dele é: ele é um software com uma parte proprietária.

Porque eu estou dizendo tudo isso em um blog sobre Python? Para que as pessoas entendam as minhas opiniões sobre outras linguagens de programação.

Eu não tenho essa ‘birra’ com Java “porque ela não tem uma implementação 100% livre de VM”. Eu tenho ‘birra’ de Java porque ela é menos flexível que Python (menos até que PHP) onde a flexibilidade aqui é primariamente uma referência à tipagem dinâmica de Python (existem outras características além dessa); Java no entanto empata em funcionalidades com Python, já que tudo o que se faz em uma se faz na outra; a usabilidade do Java é o seu maior problema e é onde Python simplesmente destroça com a ‘concorrência’; quanto às licenças a coisa complica um pouco mais. Java tem especificação aberta controlada por um consórcio de empresas, tem como máquinas virtuais (homologadas) apenas software proprietário, tem uma biblioteca padrão aberta mas com algumas coisas nebulosas como patentes da Sun, partes proprietárias, e outras coisinhas no ‘limbo’ legal desta plataforma. Python tem uma licença aberta reconhecida pela OSI uma lista de discussões aberta onde a evolução da linguagem é discutida e tem um BDFL (Benevolent Dictator for Life) que é o criador da linguagem (Guido van Rossum)

Sendo assim, minha preferência vai pra Python, porque dos critérios que eu uso para eleger um software bom Python ganha em 3 e empata em 1.

Note que em nenhum dos meus critérios eu incluo coisas idiotas como o “Deus Mercado” porque esse argumento já nos fez usar Cobol e Clipper no passado distante e no passado recente o “Deus Mercado” também nos dizia que deveriamos usar Visual Basic ou Delphi. O “Deus Mercado” nunca faz as escolhas pela razão, faz pelo dinheiro porque o dinheiro cria o hype e (conforme meu post anterior) o hype destrói projetos.

Publicado por

Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, Empreendedor, dono de uma motocicleta esportiva, hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano