A Virtude da Paciência

Mesa de areia Zen

Eu tenho dois filhos que fazem parte das gerações Z e Alpha. Essas últimas gerações tem algumas características em comum e uma delas é a de que eles querem tudo na hora, só clicando um botão. Eles não querem profundidade. Preferem respostas rápidas. On-demand. Just in Time.

Eu sou de outra geração (acho que é a Gen X) mas já tinha essa mesma ansiedade. Quando eu era criança falava que iria aprender tudo o que a humanidade sabia. Achava que todo o conhecimento da humanidade era o que estava dentro dos 10 volumes da Enciclopédia Trópico que a gente tinha em casa. Era bastante coisa para uma criança mas, ei!, eu tinha uma vida toda pela frente!

Todo o conhecimento da humanidade

Aí a criança cresceu e o mundo foi crescendo junto. Os horizontes se expandiram. Começou a ficar claro que a humanidade sabe muito mais coisas do que aquilo que estava na Trópico. O entusiasmo de aprender tudo virou um: ih! fodeu!

Acabei deixando meu plano de saber tudo o que a humanidade sabe on hold (mais um na lista de projetos paralelos sem finalizar) e optei por desenvolver um MVP: aprender tudo sobre computação. Como já dá pra ver a primeira característica de um bom programador já estava presente: subestimar o tamanho dos problemas.

Trinta anos depois de ter estabelecido essa meta eu posso dizer com tranquilidade: tá foda! 🙂 Não desisti ainda, mas preciso dizer para todo mundo que está começando na computação que não é fácil e leva tempo.

Não conheço muito sobre outras áreas e profissões mas imagino que não seja muito diferente. Se embrenhar por uma carreira sempre vai exigir dedicação e tempo.

É claro que hoje eu consigo aprender uma nova linguagem de programação muito mais rápido do que acontecia 20 anos atrás. Também consigo entender o que uma ferramenta faz com poucos parágrafos de texto ou em uma boa conversa no boteco com amigos da área (saudades disso!).

Porque eu consigo entender e aprender algumas dessas ferramentas tão rápido? Porque depois desse tempo todo eu adquiri experiência.

Experiência é o produto de dois fatores: prática deliberada e tempo.

Sem a prática deliberada você não ganha experiência. Sem tempo você também não ganha experiência.

Oportunidades

Grandes Oportunidades requerem Grandes Experiências

Tio Benedito (eu acho)

Já faz algum tempo que o setor de Tecnologia da Informação anda muito aquecido. Tem um mundo vagas abertas para diversos tipos de posições e com o aumento de oportunidades de trabalho remoto esse mercado expandiu ainda mais.

Por conta dessa efervescência tem muitas pessoas chegando ou migrando para a área de TI. E eu acho isso ótimo! Pra falar a verdade eu acho até que “tá pouco, manda mais”!

Nesse processo tem chegado todo tipo de pessoas com todo tipo de experiências, expectativas, e necessidades. Para alguns é uma jornada para a vida. Para outros é só mais uma ‘corrida pelo ouro’. Pra ser honesto eu não ligo muito para as motivações dessas pessoas porque cada um sabe quando o boleto vence.

Mas no meio desse pessoal que está chegando tem um grupo que me preocupa um pouco mais: os jovens que anseiam por resultados rápidos.

Eles me preocupam porque, como meus filhos, eles anseiam por resultados e respostas rápidas para tudo. Inclusive para suas carreiras. E é mais provável que esses resultados não cheguem tão rápido para quem está só começando. Bons resultados surgem com boas oportunidades e a probabilidade de uma boa oportunidade surgir para uma pessoa com pouca experiência é muito baixa.

Então é preciso adquirir muita XP antes de encarar os chefões do jogo.

É fácil. Mas é Difícil.

Sempre que alguém me pergunta se é muito difícil aprender a programar eu respondo: é fácil mas é difícil. Obviamente, depois da brincadeira boba, eu explico melhor.

Para se tornar um programador é necessário dominar várias técnicas (ex. dividir um problema grande em problemas menores, experimentação, etc), algumas ferramentas (ex. computador, linguagem de programação, editor de texto, controle de versão, banco de dados, etc) e algumas práticas (ex. escrever testes, revisar código, etc).

Como você pode ver um programador não aprende só programação. Tem um portfólio completo de coisas que precisam ser estudadas em maior ou menor profundidade para se tornar um programador melhor e melhor.

Algumas dessas coisas vão ser fáceis de aprender e entender. Outras serão bem desafiadoras. E eu não consigo fazer uma lista classificando quais são fáceis e quais são difíceis porque isso varia muito de pessoa para pessoa. Eu sofri para aprender programação OO. Amigos meus ‘sacaram’ o paradigma lendo um livro.

Mas insisto em dizer que todo mundo consegue se tornar um programador mas não espere que seja só fazer um curso mágico e pimba! Sou um programador! Nem mesmo uma boa universidade sozinha vai fazer isso pra você.

Se você pode fazer uma boa universidade aproveite a oportunidade e faça. Vai te ajudar muito na sua jornada. Mas lembre-se de que a jornada é sua e é você que precisa praticar programação.

Aprender programação se parece muito com aprender uma arte marcial. Você não aprende Kung fu lendo um livro ou assistindo vídeo de aulas no Youtube. A menos que você seja o Neo no filme Matrix você só aprenderá Kung fu praticando.

Señor Developer

Foto de um fazendeiro mexicano usando chapeu e com um bigode bem grosso com a legenda "Respect! I'm a señor developer"

O que eu disse até aqui não tem relação com a discussão infrutífera sobre “Senior Developer” que vez ou outra explode em algumas redes sociais.

Essa classificação de senioridade é muito aberta e subjetiva. Ela varia de empresa para empresa e de programador para programador.

Eu tenho minha definição sobre o que é um programador Senior e ela inclui o atributo experiência (ter um bigode grosso é outra coisa que conta para senioridade… brincadeirinha 🙂). Mas para outras empresas ou até mesmo para outros amigos meus isso não é tão relevante. E tudo bem!

Algumas pessoas atribuem senioridade para programadores com experiências relevantes, outros definem que um profissional senior é capaz de ajudar outros colegas de trabalho. Como eu disse, isso varia muito e ficar discutindo o assunto é pura perda de tempo.

Não seja fiscal de senioridade. Se importar muito com isso é um sinal de que algo precisa melhorar em você.

Ceja Bem Vindos!

Foto de uma fachada de restaurante com uma placa escrito: "Ceja bem vindo e esprimente a linguiça"

No mais eu gostaria de dizer à todos que estão chegando e deixar aberto minhas redes sociais para todos vocês que sentirem que precisam de alguma ajuda nesse processo.

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Por Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, motociclista "dormente" (sem moto no momento), hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano