Comunicação Indolente

Quadro negro sobre escrivaninha com os dizeres 'chat'
Foto: www.gotcredit.com

Sou extremamente entusiasmado com tecnologia e adoro até mesmo aquelas tecnologias que chegam pra quebrar tudo que já existe. Tecnologias disruptivas, na maioria das vezes, empurram a sociedade pra frente. Na terminologia usada na política eu seria chamado de “progressista”. O oposto de um “conservador”.

Mas ser um progressista não deveria impedir as pessoas de apontarem os problemas causados por novas tecnologias. É necessário que isso aconteça para que a sociedade coloque essas novas tecnologias problemáticas como pauta para novos “progressos”.

Tecnologias usadas nas redes sociais, os tais “algorítmos”, produtos construídos no bojo da Inteligência Artificial (Machine Learning, Deep Learning, etc), Deep Fake, e etc já estão se mostrando bastante problemáticas em muitas aplicações. Não quero que elas acabem (até porque seria impossível) mas precisamos entender elas melhor e ajustar o seu uso.

Mas não pretendo tratar desses grandes tópicos aqui. Eu sequer teria capacidade para abordar esses assuntos. Vou tratar de uma tecnologia bem mais prosaica: as novas ferramentas de comunicação empresarial.

Vou falar sobre o Slack mas acho que os pontos aqui também se aplicariam a ferramentas similares como o Teams, Rocket Chat, e até certo ponto, o Discord. E vou falar mais do Slack porque é a que tenho usado por mais de 5 anos infelizes.

Comunicação

Existe uma classe de medicamentos chamada de “genéricos”. A piada (ruim) diz que os medicamentos genéricos servem para curar problemas genéricos.

Se existe uma classe de problemas genéricos essa classe é a dos “Problemas de Comunicação”.

Eu aposto uma jujuba que em quase toda reunião de feedback, sprint review, ou post-mortem/lessons-learned, alguém vai logo dizer “ah! mas isso foi um problema de comunicação”, ou, “acho que é só a gente melhorar a comunicação”.

A comunicação… ah essa malvada! Sempre essencial e importante e tantas vezes negligenciada.

A comunicação é composta de vários elementos: emissores, receptores, mensagens e meios e para que ela funcione bem todos esses elementos precisam funcionar corretamente. Se tudo isso funcionar corretamente a gente acaba com uma comunicação efetiva.

Não importa se a comunicação é síncrona, assíncrona, rápida, lenta, detalhada, superficial, urgente, importante, online, offline, etc. Tudo isso pode variar e mesmo assim você pode ter uma comunicação efetiva.

Vai falar que comunicação assíncrona é melhor para aquele cara que quer avisar que o sistema principal da empresa caiu. Uma plataforma de chat, um mensageiro eletrônico ou até mesmo um telefone são muito mais adequados para comunicar essa ocorrência do que um e-mail em um grupo de discussões, um telegrama ou uma carta.

O oposto disso seria o processo de comunicação necessário na criação de um novo produto. Não me parece que usar um chat seja o melhor lugar para conduzir a comunicação necessária nesse processo.

Imagine todas aquelas informações importantes sobre o projeto morrendo na timeline do chat como se fossem lágrimas na chuva.

Nesse caso uma reunião presencial (quando possível), uma reunião online com um documento compartilhado ou uma thread em um bom fórum/grupo de e-mail funcionaria bem melhor. No caso do fórum/grupo você ainda incluiria aquele coleguinha que não pôde participar da reunião por um motivo qualquer (ex. férias, doença, compromisso pessoal, …).

Indolência

Eu comecei esse artigo com uma reclamação no Twitter. Logo vi que parte das pessoas não entenderam muito bem o meu ponto por lá. Sabe porque? Porque o Twitter é uma péssima ferramenta de comunicação para expressar tudo o que estou colocando aqui.

Por esse motivo achei importante escrever exatamente o que eu penso aqui. Um meio muito mais adequado para comunicar ideias mais elaboradas. Eu precisei ser menos indolente (slack) e menos negligente (slack) na minha comunicação.

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Por Osvaldo Santana

Desenvolvedor Python e Django, motociclista "dormente" (sem moto no momento), hobbysta de eletrônica, fã de automobilismo e corinthiano