ITopia

Trabalho na área de informática há muitos anos. Sempre trabalhei com desenvolvimento de software, exceto por um período de tempo quando tentei seguir a carreira de publicitário por estar um pouco decepcionado com o trabalho na área de programação de computadores.

A minha desilusão nasceu com o tipo de trabalho que um programador, aqui no Brasil, mais faz: software de gestão empresarial. A capacidade criativa que o brasileiro desenvolveu nesse tipo de desenvolvimento causa inveja em diversos países do mundo. Isso é bacana.

Esse tipo de desenvolvimento nunca foi meu preferido mas eu devo admitir que sempre foi o que fizemos de melhor.

Mas de um tempo para cá eu venho notado que as empresas de desenvolvimento de software estão procurando buscar modelos de desenvolvimento de software vindos de fora. Opa! Se esse é o tipo de coisa que sempre fizemos bem aqui não deveríamos estar exportando?

O modelo de empresa de desenvolvimento que me deixa mais horrorizado é o triunvirato formado por engenharia-de-software, fábrica-de-software, STLs (sigla-de-três-letras como CMM, RUP e PMI).

Quando eu estudava Processamento de Dados em um colégio técnico estadual no interior de São Paulo eu tinha vários amigos que estudavam ‘Edificações’ que forma profissionais preparados para auxiliar os Engenheiros Civis. Alguns alunos amigos meus eram tão bons em seus trabalhos que os engenheiros somente ‘assinavam’ os projetos feitos por eles.

Se nessa época a minha visão-além-do-alcance me mostrasse o que está acontecendo hoje eu iria estudar Edificações e não mais Processamento de Dados. Estou esperando o dia que vão surgir os decoradores de sistemas, afinal, os engenheiros de software e arquitetos de software já existem.

Esse triunvirato parte da premissa de que software é algo criado em cima de padrões, normas e requisitos e esquecem de que essas três coisas produzem software mas nunca irão produzir software fantástico. O que diferencia um software de um software fantástico é o ‘toque de genialidade’ dos desenvolvedores. É aquela modificação elegante no código que o torna mais eficiente. É aquela idéia simples que torna o sistema mais robusto. É aquele momento de inspiração que faz surgir um excelente software. É aquela fuga do padrão, da norma, e até mesmo do requisito que fazem um software virar um software fantástico.

Os softwares de gestão brasileiros são (eram?) fantásticos por essa razão. Antes as normas eram menos rígidas, os padrões menos abrangentes e os requisitos quase sempre eram desconhecido. Sei que muito software ruim foi produzido naquela época mas tolher a criatividade não deve ser a solução para esse problema. Que solução então? Seleção natural. É isso. Software ruim ‘morre’ com o passar do tempo. Software que nasce ruim mas melhora com o passar do tempo sobrevive.

Para resumir, o desenvolvimento de software é, em minha opinião, muito mais uma atividade criativa do que simplesmente aplicar técnicas, regras, normas em cima de um teclado de computador.

Minha forma de pensar leva à uma outra questão importante a ser ponderada: Programador sem criatividade deve mudar de profissão? Sim e não.

Se ele está nessa área porque disseram para ele que “programador é a profissão do futuro” sim. Todas as pessoas devem fazer o que gosta e não o que disseram para ela fazer. Trabalhar com algo que não te inspira cria pessoas tristes. E não vale falar que vai continuar programando porque ‘não agrada nem desagrada’, tem que gostar mesmo de trabalhar.

Mas se esse programador ‘não-criativo’ realmente tiver paixão pela profissão que vai exercer o problema de criatividade dele pode ser solucionado.

“Moço! Me vê 2kg de criatividade?”

As pessoas acham que um ‘insight criativo’ é o resultado de um sopro de pó de pirlim-pim-pim que a Fada Sininho jogou na gente. Isso não é totalmente verdade (exceto talvez pela fada).

Os ‘insights criativos’ são criados pelo nosso cérebro o tempo todo (em momentos randômicos). O nosso cérebro então coleta uma série de informações dos nossos ‘bancos de memórias’ de acesso rápido (informações), acesso lento (conhecimento) e do disco (lembranças), bate tudo por uns minutos no liquidificador e joga no ‘pipeline’ de coisas em processamento. O resultado dessa mistura, se for bom, será aproveitado, caso contrário será descartado imediatamente.

Com essa explicação podemos perceber que uma série de fatores aleatórios que determinam se você terá um ‘insight criativo’.

Quando você vai apostar na mega-sena (ou outro jogo desse tipo) você sabe que quanto mais números você marcar no canhoto de apostas maiores serão as suas chances de ganhar o prêmio. O mesmo acontece com nosso cérebro. Quanto mais informação, conhecimento e lembranças a gente tiver para que o nosso cérebro trabalhe maiores são as nossas chances de ter uma idéia legal.

E é aí que entra o fator ‘paixão’ pela profissão. Se você for apaixonado pelo que faz será mais fácil para você ler um livro sobre o assunto, fazer um treinamento, prestar atenção às informações relacionadas ao teu trabalho e assim por diante.

É claro que existem alguns programadores que são absurdamente geniais e criativos, mas eles são uma exceção (boa) e não são reproduzíveis em laboratório.

Tem que ter técnica!

Dizer que o importante é ser criativo não pode levar ninguém a concluir que a técnica é dispensável. Não é mesmo. A técnica é tão importante quanto a criatividade. Ambas devem ser desenvolvidas por igual e nutridas da mesma maneira. A técnica fornece elementos para que a loteria criativa do cérebro crie coisas legais que, através da técnica irão virar realidade; um ciclo fechado.

Não pense que Da Vinci usou só de criatividade para pintar a Monalisa. Se ele não tivesse conhecimento de sombras, luzes, cores, anatomia, etc. certamente ele não teria criado essa obra de arte.

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Invasão bárbara. Como lidar?

Desde muito tempo tenho participado de fórums e listas de discussões. A grande maioria delas trata de assuntos relacionados à informática mas também de listas com assuntos mais ‘genéricos’.

Já a algum tempo, com a popularização do acesso à Internet, venho presenciando uma invasão bárbara nos meios de comunicação onde antes costumava imperar as regras de etiqueta (tratada pelos internéticos ‘da antiga’ por netiqueta).

Quando algum desses bárbaros são inquiridos a se portarem de maneira adequada eles reagem nos tachando de mal-educados, reacionários e puristas da Internet. Eles nos adjetivam dessa maneira porque eles são os mal-educados e porque geralmente acham que qualquer novidade tecnológica que é boa pra eles necessariamente tem que ser boa para todos os outros participantes das listas.

Alguns casos que saltam mais aos olhos serão enumerados nesse artigo.

Letra maiúscula serve pra GRITAR!

Aos bárbaros que não conhecem nenhuma regra de netiqueta ou que não sabem que é possível desligar aquela luzinha do teclado onde está escrito “CAPS LOCK” preciso dizer que, por convenção, escrever em letras maiúsculas (caixa-alta) na Internet é exatamente o mesmo que gritar no ouvido do destinatário da mensagem.

É muito comum encontrarmos e-mails inteiros escritos em letras maiúsculas. Acho que esse tipo de e-mails só seria válido em listas de discussão que falem sobre letras de música de Trash Metal.

Quando expliquei isso para um dos bárbaros apontando para ele uma RFC (Request for Comments) que define regras de Netiqueta dizendo que os protocolos da Internet são especificados através desse tipo de documento o bárbaro me chamou de reacionário e afirmou que tal RFC ‘havia sido escrita a mais de dez anos atrás’. É quase como se eu falasse que quem navega na Internet é reacionário porque a RFC que define o protocolo HTTP/1.0 é da mesma época.

Vamos falar em português?

Vamos! Mas só em listas, fórums, comunidades do orkut, etc onde o idioma padrão é o português. O brasileiro fica todo orgulhoso da ‘invasão brasileira ao orkut’ e adora mostrar mais essa ‘conquista da amarelinha’ escrevendo em português até em comunidades de “Practice your English”. Parabéns! Nós deveríamos nos sentir orgulhosos por sermos tão mal-comportados bárbaros.

Já não bastasse os bárbaros escreverem em português nesses fórums, o português usado é de um nível tão baixo que chega a doer os olhos de quem lê. Não precisamos ser o ‘professor Pasquale’. Mas quem consegue ler esse tipo de coisa?

‘OI MEU NOME E OSVALDO E ESTOU COMESSANDO AGORA A PROGRAMA EM COMPUTADORES E ESTOU AXANDO TUDO MUUUUUUITO LEGAL E UM AMIGO MEU ME DISSE QUE PROGRAMAR EM PYTHON E SUPERLEGAL ENTAO REZOLVI ESPERIMENTA NE? RSRSRSRSRSRSRSRS E TIPOWWWW… GOSTARIA DE SABER SE SERIA POCIVEL VCS ME AJUDA A FAZER UM PROGRAMA DE CONTROLE DE UZINA NUCLEAR?????????????????????’

Adoraria que o exemplo acima fosse uma extrapolação do que tenho visto. Mas posso afirmar com absoluta segurança que já vi coisas muito piores. Como poderíamos fazer para explicar para os bárbaros que e-mail não é chat e que até mesmo em chat escrever de maneira totalmente ‘sem-nossaum’ não é uma coisa legal?

A minha irmã é uma das que escreve desse jeito. Eu já disse pra ela que pra conversar comigo tem que escrever certo. Ela estudou, tem um grau de instrução bom, sempre esteve rodeada de livros e leu vários deles. Quando começou a escrever ‘certo’ comigo fiquei impressionado com a quantidade de erros ortográficos no que ela escrevia. Esse tipo de linguajar ‘internético’ deseduca as pessoas.

Erros de ortografia, desconhecimento total de uso de pontuação (faltam vírgulas e sobram interrogações e exclamações), erros gramaticais, vocabulário paupérrimo, gírias ‘internéticas’, falta de parágrafos e uma total ausência de ordem na construção do texto já estão virando uma marca registrada da Internet por causa dessa invasão bárbara. Isso é bonito? É algo que deveria dar orgulho ao brasileiro? Do jeito que a coisa anda aqui no Brasil a gente vai comemorar o ‘exacampeonato'(sic) brasileiro no futebol.

Informação boa é melhor que visual bom

Tá, quase toda a totalidade dos clientes de e-mail hoje em dia sabem abrir um e-mail em formato HTML (aqueles todos coloridinhos com os smileys gráficos e onde as respostas ficam escritas em azul) mas isso realmente é necessário? E quem não usa esse tipo de cliente de e-mail? E quem tem necessidades especiais (deficiência visual) e precisa usar um cliente especial de e-mail? E quem ainda acessa a Internet usando Modem e uma linha discada?

Um e-mail em formato HTML é consideravelmente maior do que um e-mail convencional e esse tamanho maior não adiciona absolutamente nada de informação relevante à discussão. Então estamos desperdiçando recursos computacionais por nada. E os bárbaros, com esse tipo de atitude, ainda desperdiçam recursos computacionais dos destinatários de suas mensagens.

Quando recriminei um bárbaro por usar esse tipo de e-mail ele me chamou de ‘vovô da Internet’ como se isso fosse alguma forma de ofensa e não um elogio à minha experiência superior à dele.

Ouvir é melhor do que falar

Quando escrevemos uma mensagem em um fórum escrevemos ela uma única vez e muitas pessoas irão lê-la, correto? Na Internet a gente lê e ouve muito mais do que escreve e fala. Por isso é importante saber ouvir.

Quando você instrui uma pessoa que sabe ouvir ela te agradece por tê-la ajudado a se tornar uma pessoa melhor. Quando você instrui um ostrogodo ele se considera afrontado e reage mal.

Concluindo

Além desses ítems que descrevi aqui ainda existem outros. Resolvi me limitar aos que ocorrem com maior freqüencia para poupá-los de cenas mais fortes 🙂

Estou tratando desse assunto porque na lista PythonBrasil, onde sou moderador, geralmente somos tratados como rudes, mal-educados e coisas do tipo quando apontamos alguma coisa errada no comportamento dos participantes da lista.

A lista é uma ferramenta importante para todos que estão lá. Pedimos ajuda, trocamos experiências, aprendemos e ensinamos. Os bárbaros não invadirão o nosso território para nos matar e pilhar, e para que isso não ocorra expulsamos eles da forma mais polida que conhecemos: fazendo eles nos ouvirem. Ao aceitar a ajuda conseguimos ver que ele não é um bárbaro, é apenas alguém inexperiente.

Agora deixo a pergunta em aberto para que vocês me ajudem: Existe alguma maneira mais eficiente ou mais adequada para lidar com esse tipo de gente?

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Python na Educação

É bastante provável que as pessoas que costumam ler esse blog já conheçam as minhas opiniões sobre o uso de Python no ensino de programação de computadores para alunos do ensino superior, mas como provavelmente eu nunca comentei nada por aqui, resolvi escrever este artigo.

Atualmente estou fazendo faculdade e tudo indica que dessa vez eu consigo terminá-la (diferente das outras 2e+35 tentativas anteriores). É uma faculdade daquelas formam “tecnólogos” em um curto espaço de tempo e essa me garante o direito de fazer uma pós-graduação stricto ou latu senso. Ainda estou no primeiro semestre e em minhas aulas de algorítmos tenho implementado alguns programinhas em “Portugol”.

A minha opinião sobre o uso de “Portugol” no primeiro semestre de um curso voltado para o desenvolvimento de software é -0, ou seja, não acho bom nem ruim, mas se usassem uma linguagem ‘de verdade’ tornaria o aprendizado um pouco mais divertido.

Portugol é legal quando o professor não disponibiliza um interpretador real da linguagem pois faz com que o aluno exercite a leitura de código e o entendimento do mesmo (o velho conhecido Teste de Mesa). O problema é que 6 meses de programação sem observar o efeito real dos programas não me parece ser muito ‘estimulante’.

Mas o foco desse artigo não é muito no primeiro semestre e no portugol. O foco deste artigo é mais adiante no curso onde estudaremos Delphi (como linguagem OO e orientada a eventos), Java (porque o mercado exige) e alguma linguagem estruturada que provavelmente será Pascal ou C (já que vi compiladores das duas linguagens nos laboratórios).

Em um passado não muito distante eu achava que os alunos deveriam aprender apenas Python por ser uma linguagem que aglutina vários paradigmas de programação (estruturado, OO e funcional). Usando apenas Python o professor “perderia” tempo para explicar a sintaxe de uma linguagem apenas uma única vez e, com isso, sobraria mais tempo para ele explicar esses diversos paradigmas.

A minha opinião só mudou (um pouco) após uma conversa com o Gustavo Niemeyer, enquanto voltávamos da I PyCon Brasil, onde ele me disse: “Um programador precisa saber como um computador funciona, como se aloca memória, como os dados são representados pelas máquinas. E esse tipo de coisa ele aprende se tiver que programar em C”. Fui obrigado a concordar com ele e, hoje, no meu trabalho vejo que isso realmente é muito importante. Esse tipo de coisa também pode ser aprendido programando-se em Assembly, mas todos sabemos que os professores não costumam dispor te tempo infinito para ensinar os alunos então C seria um meio-termo mais prático para eles (até por ser uma linguagem multiplataforma e algumas universidades terem acesso à diversas plataformas).

Depois de ter discutido isso com ele eu acho que cheguei à uma opinião menos extremada onde Python seria ensinada nos primeiros semestres (iniciando preferencialmente pelo paradigma OO) e um período de um ou dois semestres no final do curso serviriam para um intensivão de linguagem C.

Eu acho que o paradigma OO deve ser o primeiro a ser ensinado porque ele é mapeado de maneira muito simples ao mundo real que é comum à todos os egressos de um curso de programação. As pessoas sabem o que é um carro, um avião, um barco quando chegam à faculdade mas muito poucos alunos sabem separar dados e informações das ações que agem sobre estes. Mas essa opinião ainda não está escrita em pedra na minha cabeça porque ainda não tive acesso a resultados de estudos que comprovam que é mais fácil ensinar o paradigma OO ao estruturado. Isso é apenas uma intuição que tenho por ter achado muito difícil a minha migração do paradigma estruturado para o paradigma OO. Talvez o caminho inverso seja mais tranquilo.

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Google, Microsoft e… Python

A notícia (original em inglês) já não é tão nova assim mas Guido van Rossum, criador da linguagem Python, foi contratado para trabalhar no Google. Como alguns já sabem o Google é um dos maiores, mais antigos e mais importantes usuários da linguagem Python atualmente. O Google usa Python em diversas partes de seus sistemas como nos crawlers (procure por “Python”) e no sistema de Helpdesk deles (olhe a URL dessa página e veja o “.py”).

Segundo a notícia a contratação de Guido van Rossum mostra a importância que Python tem dentro do Google.

A outra notícia (que saiu no IDGNow!) é boa mas é ruim. Boa porque sempre é bom que uma empresa grande “abrace” uma linguagem de programação e dê apoio ao seu desenvolvimento. Ruim porque essa tal empresa que está abraçando a idéia de Python é conhecida por suas práticas desleais na área de tecnologia. Agora é aguardar, ver como as coisas vão desenrolar e torcer para que as intenções da Microsoft, pelo menos com relação à Python, sejam as melhores possíveis.

O legal dessa notícia é que ela também saiu na ‘grande imprensa’ tecnológica e não em um site do circuito de Software Livre onde as notícias sobre Python costumam circular. Esse já é uma dos bons efeitos colaterais que se obtêm quando uma grande empresa abraça a nossa causa.

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Zope é bom mas é ‘difícil’

A muitos anos atrás (tá, nem tantos assim) eu resolvi me aventurar com Zope. Eu era ‘garoto novo’ e bastante inexperiente com desenvolvimento OO. Me dei mal. Não sei se a coisa não rolou por causa dessa inexperiência ou porque Zope realmente era complicado. Mas o resultado foi: não deu.

Algum tempo depois fiquei mais experiente em OO e já me julgava capaz para fazer uma nova tentativa com o Zope. Modéstia à parte não sou um ‘toupeira’. Tenho uma experiência muito boa no desenvolvimento de Software e no trato com computadores e agora que já estava ‘afiado’ com desenvolvimento OO estava tudo indicando que dessa vez eu e o Zope teríamos um caso de amor.

Me adaptei super-rápido com o ZODB, super-mal com todo o resto. Não rolava desenvolver na Web e não gostei da idéia de guardar o código de minhas aplicações dentro do ZODB. Eu sei que ‘não gostei’ não é um argumento técnico muito forte mas mesmo assim abandonei o Zope porque achei que eu não era dígno de compreender a proposta dele.

Ganhei um treinamento ultra-fast-rápido com o Luciano Ramalho e continuei não gostando de algumas coisas.

Resolvi dar uma olhada no Plone e que era o melhor tipo de aplicação feita em cima do Zope que poderia existir. Assisti a uma apresentação sobre Archetypes e ArchgenXML proferida por caras que realmente souberam explicar o funcionamento deles.

Archetypes eu achei muito massa. ArchgenXML eu não gostei porque tenho ressalvas contra qualquer tipo de ferramenta que tente gerar código. A minha opinião pessoal é a de que a única ferramenta que consegue gerar código automaticamente se chama programador.

Aí chegou o Zope3 que simplesmente sumia com algumas das características que eu julgava indesejadas anteriormente. Parece que agora o ‘casamento’ sai.

Para tarefas triviais ainda é um canhão muito grande para matar pequenas moscas mas me parece que está se tornando uma boa ferramenta para desenvolver aplicações maiores.

Armei-me do que existe de melhor em termos de documentação sobre o Zope3 (até livros caros e importados) e estou atacando o dragão para desenvolver uma aplicação exemplo de controle de finanças pessoais (para meu uso). Tá saindo. Muito, mas muito mesmo, mais devagar do que se eu estivesse usando um framework mais ‘leve’ como um Turbogears ou o Django mas mesmo assim tá saindo.

Mas vou falar uma coisa: não é fácil. A facilidade de se aprender Zope é inversamente proporcional à facilidade de se aprender Python. Notei que sempre foi assim. Só estou conseguindo agora porque tenho muito mais experiência do que antes para tentar, mas se você está tentando aprender Zope agora não se ache um ‘burrão’ igual eu me achei no passado porque isso não é verdade. A verdade é que o Zope é um bicho muito difícil de domar mas depois de domado é o bicho mais poderoso que você pode ter em mãos.

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Bug ou comportamento indesejado?

Estou trabalhando na construção do pacote do Python 2.4.2 para a plataforma Maemo e uma das nossas missões nesse projeto é fazer com que os pacotes com o Python ocupem pouco espaço em disco. Essa missão vem do fato que a plataforma Maemo é projetada para dispositivos móveis que não costumam ser construídos com discos muito grande.

Para reduzir essa ocupação de espaço resolvemos distribuir apenas os módulos otimizados (.pyo) da biblioteca Python porque esses arquivos são menores que os seus equivalentes em código fonte (.py) que serão distribuídos em um pacote separado específico para desenvolvedores. Outra mudança que fizemos foi distribuir esses pacotes dentro de um arquivo .zip.

No entanto, descobrimos posteriormente que o FS do N770 já é comprimido e colocar os módulos dentro desse .zip se tornou desnecessário. Enquanto eu ‘tirava’ os módulos de dentro do ZIP eu esbarrei numa inconsistência no comportamento do CPython que vou ilustrar na seção abaixo:

  1. Primeiramente eu crio dois módulos compilados. Um deles com otimização e o outro sem e adiciono os mesmos dentro de um ZIP:
$ ls
modulo_c.pyc  modulo_o.pyo
$ zip modulos.zip modulo_o.pyo modulo_c.pyc
  adding: modulo_o.pyo (deflated 38%)
  adding: modulo_c.pyc (deflated 38%)
$ ls
modulo_c.pyc  modulo_o.pyo  modulos.zip
  1. Depois aciono o interpretador em modo normal (não-otimizado):
$ python2.4
>>> import modulo_c
modulo_c
>>> import modulo_o
ImportError: No module named modulo_o

Como puderam observar, o interpretador Python não procura arquivos com a extensão .pyo quando está em modo não-otimizado.

  1. Na seqüência eu aciono o interpretador em modo otimizado:
$ python2.4 -O
>>> import modulo_c
ImportError: No module named modulo_c
>>> import modulo_o
modulo_o

E o comportamento inverso pode ser observado. O interpretador também não procura módulos .pyc quando está em modo otimizado.

  1. Removo os módulos .pyc e .pyo para ficar com eles apenas dentro do Zip e repito os passos anteriores dizendo que o ‘modulos.zip’ agora faz parte do PYTHONPATH e deve servir de local para procura de módulos Python:
$ rm *.pyc *.pyo
$ ls
modulos.zip
$ PYTHONPATH=modulos.zip python2.4
>>> import modulo_c
modulo_c
>>> import modulo_o
modulo_o
$ PYTHONPATH=modulos.zip python2.4 -O
>>> import modulo_c
modulo_c
>>> import modulo_o
modulo_o

Aqui está a inconsistência. Utilizando o hook zipimport do Python ele procura por módulos .pyc e .pyo no PYTHONPATH. A única distinção que ele faz entre os dois modos é a de que no modo normal o interpretador procura na ordem “py->pyc->pyo” e no modo otimizado ele procura na ordem “py->pyo->pyc”.

Acho que essa inconsistência tem que ser eliminada e, em minha humilde opinião o comportamento do hook zipimport é mais adequado do que o do primeiro porque poderemos encontrar casos onde bibliotecas bytecode sejam fornecidas como .pyo e .pyc misturados (ok, eu sei que só renomear o arquivo já que o bytecode é o mesmo, mas não acho essa solução muito ‘elegante’).

Estou preparando um patch para deixar o comportamento do hook de importação padrão do Python funcione de maneira equivalente ao hook zipimport e vou submetê-lo para o projeto. Mas como esse patch tem uma solução baseada na minha visão eu gostaria de saber antes a opinião dos leitores: Qual dos 2 comportamentos deve permanecer? E, isso deve ser mudado?

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Python 3

Para quem tem acompanhado a lista de discussões Python Developers já deve ter percebido que as discussões sobre a versão 3 da linguagem Python vêm se intensificando a cada dia que passa.

Já foi dito a algum tempo atrás nessa mesma lista que a preocupação de manter compatibilidade retroativa com as versões atuais da linguagem Python serão praticamente nulas. Os desenvolvedores da linguagem se deram ao direito de quebrar essa compatibilidade para que finalmente eles possam corrigir erros de design que acompanham a linguagem desde as suas primeiras versões.

É importante que todos que usam Python intensivamente comecem a acompanhar essas discussões para já irem evitando certas ‘construções’ que não farão mais parte da linguagem no futuro. Existe uma quantidade considerável dessas ‘construções’, portanto, não vou ficar listando-as por aqui. Elas podem ser vistas em forma de propostas na PEP3000.

A sensação de acompanhar as discussões é: tensão. Eventualmente o Guido (BDFL) opta por algumas regras sintáticas e/ou construções na linguagem que me deixam consternados. Mesmo quando elas não passam apenas de propostas. Um caso recente foi quando ele sugeriu trocar os operadores lógicos “and”, “or” e “not” por “&&”, “||” e “!” como em linguagens com sintaxe baseadas na sintaxe da linguagem C.

Eu fiquei tenso por algumas horas até que várias pessoas votaram para que essa modificação não ocorresse. Eu fiquei preocupado porque eu gosto de ler uma expressão lógica como se estivesse lendo um parágrafo de um livro (if foo and bar:…) e não como se tivesse lendo uma tábua com hieroglífos (if foo && bar:…).

Outra sugestão que deram foi a de mudar o comportamento do retorno de expressões lógicas. Atualmente a linguagem Python usa um mecanismo de short-circuit para avaliar uma expressão lógica e o último elemento avaliado será retornado. Queriam que esse tipo de expressão retorne apenas “True” ou “False”. Acho que ambos comportamentos possuem vantagens e desvantagens e mudá-lo por mudar só faria com que mais código se quebrasse gerando erros realmente muito difíceis de encontrar. Ok, eu disse que já foi avisado que compatibilidade retroativa não é uma preocupação para o Py3, mas realmente é necessário quebrar compatibilidade com algo tão gratuito? Acho que não e parece que tem mais pessoas que pensam assim. A discussão saiu dessa linha de raciocínio e partiu para uma linha de proposta para criar um equivalente ao operador ternário da lingagem C (?:). Evidente que estão procurando uma sintaxe mais adequada do que a sintaxe usada pela linguagem C.

Eu gosto muito de Python e confio no julgamento do GvR para tomar decisões no desenho da linguagem, mas acompanhar as discussões na lista em tempos de mudanças tão grandes realmente não é indicado para programadores Python com coração fraco.

Em tempo: O pessoal do INdT e eu organizamos um pequeno “Planet” que ainda está hospedado em local temporário esperando pela liberação do domínio “maemo.org.br”. A versão provisória do Planet pode ser encontrada em “http://evolutum.gotdns.com/~osvaldo/planet/“.

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Conhecimentos fundamentais

Ja faz algum tempo que tenho notado em diversas listas de discussões da área de informática que alguns profissionais de nossa área parecem estar entrando para o mercado de trabalho sem ao menos ter alguns conhecimentos mais fundamentais sobre computação.

Um “Conhecimento Fundamental” não é um “Conhecimento Essencial” mas é extremamente útil ter esse tipo de conhecimento quando se trabalha com qualquer coisa.

Na minha simplória definição um “Conhecimento Fundamental” é um tipo de conhecimento que não necessariamente é aplicado diretamente na resolução de um problema mas que certamente enriquece muito a ‘teia’ de informações disponíveis em nossa mente. Esse enriquecimento faz com que a gente consiga apresentar soluções muito mais criativas e eficientes para determinados problemas.

Para esclarecer um pouco melhor o que eu estou tentando dizer vou citar algumas situações reais que ocorreram com algumas pessoas próximas à mim.

Operações bit-a-bit

Quando eu fiz escola técnica no segundo grau eu tive um professor (Victor) que passou um semestre inteiro explicando aritmética binária, operações bit-a-bit e um básico de lógica booleana (que no semestre seguinte foi complementada de maneira adequada por outro professor).

Nessa época vários colegas de classe ‘matavam’ essa aula porque ela realmente era bastante teórica e pouco prática e esses alunos estavam mais interessados ou em jogar Truco no páteo do colégio ou em ver o último livro de Clipper (que era a ‘sensação’ da época da mesma forma que Java é a ‘sensação’ do momento).

Eu assisti essas aulas e aprendi sobre deslocamento de bits, soma, subtração, multiplicação binária, aprendi como um número negativo era representado binariamente (complemento de dois e afins), e por aí vai.

Quase uma década depois eu e mais algumas pessoas em Curitiba fizemos um teste prático em linguagem C para entrar no meu atual emprego no INdT. O desafio proposto pra mim era corrigir uma função de um compressor de arquivos que fazia deslocamentos de bits e umas operações bit-a-bit com máscaras.

Corrigi a função (estourei um pouco do tempo disponível) e passei no teste. Algum tempo depois um atual-companheiro de trabalho saiu da sala e havia me dito que ele se atrapalhou com o desafio dele (que também envolvia deslocamentos e manipulações de bits) porque ele não lembrava a sintaxe da linguagem C para fazer deslocamentos de bits (>).

Se eu estivesse na mesma situação que ele eu teria solucionado o problema usando uma ‘alternativa’ à sintaxe da linguagem C e faria sucessivas multiplicações e divisões por 2 que fazem com que os bits se desloquem para à esquerda e direita respectivamente.

Esse foi um caso real onde um “Conhecimento Fundamental” teria ajudado esse meu amigo. De qualquer forma ele se deu bem no restante do teste e hoje ele trabalha aqui do meu lado.

Recursividade

A algum tempo atrás precisei desenvolver um pequeno script pra um provedor de internet que calcularia o valor com pulsos gastos pelos assinantes desse provedor para que posteriormente fossem oferecidos produtos de banda-larga para clientes que fazem uso maior de internet.

No momento em que estava pensando na forma que eu resolveria esse problema (que eh desnecessariamente complicado) emergiu dos fundos de meus “Conhecimentos Fundamentais” as minhas aulas sobre recursividade. Usei uma prática muito simples de ‘dividir e conquistar’ as ligações que encaixavam em diversas categorias diferentes de tarifação chamando a mesma função de cálculo recursivamente.

Evidente que esse script não prevê todos os casos e situações diferentes com as quais uma operadora de telefonia precisa se preocupar mas serviu adequadamente para resolver o problema em questão.

Recentemente um amigo que presta serviços para um provedor de internet que pertence à uma operadora de Telecom me disse que a equipe de desenvolvimento dessa empresa estava ‘batendo cabeça’ a várias semanas tentando resolver o mesmo problema.

Eram desenvolvedores que não possuem “Conhecimentos Fundamentais” para exercerem suas funções. Passei esse script para que o pessoal usasse.

Conhecimentos Fundamentais não envelhecem

Os profissionais de informática hoje perdem muito tempo escolhendo uma faculdade ou outra, um curso ou outro porque uma delas usa Windows e a outra Linux. Uma usa Java e a outra .Net. Algumas ainda usam Pascal e outras começam a usar Python. Os alunos ‘brigam’ com seus professores para que os mesmos ensinem Java ou C# mas nunca brigam com eles pedindo para que explique sobre Autômatos Finitos ou máquinas de Turing.

Saber Java ou C# hoje é o mesmo que ter sabido Clipper ou Cobol à alguns anos atrás. É um tipo de conhecimento que ‘envelhece’ e perde o sentido. Não é um conhecimento desnecessário, mas a aquisição desse tipo de conhecimento deveria ter uma prioridade menor do que os “Conhecimentos Fundamentais”.

Fundamentar o conhecimento é algo imprescindível que torna mais fácil, inclusive, adquirir outros tipos de conhecimentos.

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À Sombra de Titãs

Não, eu não morri. Sim, estou passando por uma crise criativa. E já vou avisando que esse post está completamente mela-cueca e “puxa-sacos” 🙂

Todo nerd é saudosista. Se isso não fosse verdade nós não nos interessariamos por coisas como MSX, TRS-80 e Apple II. Como nerds costumamos chamar de antigüidades enquanto os outros chamam apenas de lixo ou velharia.

Com meu ‘bit’ saudosista habilitado (só nerd pra escrever essas coisas) resolvi fazer um levantamento do meu envolvimento com as pessoas da Comunidade do Software Livre brasileira.

Eu tive uma sorte muito grande de sempre ter convivido ao lado de “Titãs” do Software Livre. Se fosse possível “aprender por osmose” eu certamente seria um gênio mas infelizmente não é. Para homenagear essas pessoas resolvi dar nome aos GNUs (ha ha ha que tentativa horrível de fazer um trocadilho).

O legal desses GNUs é que nem sempre eles aparecem ‘na mídia’ ou são tratados como ‘personalidades’ por outros membros da comunidade mas certamente eles fizeram algo pelo Software Livre.

Meu envolvimento com Software Livre começou efetivamente em 2000 quando comecei a trabalhar na Conectiva. Antes disso os programinhas Clipper que eu fazia eram liberados mas não sabia que isso era SL.

Hoje eu tenho a impressão que fui trabalhar lá por causa de uma ‘falha’ no processo de contratação. Só pode ter sido isso essa a razão. Afinal, nessa época eu não me envolvia com comunidade, me batia por dias tentando estabelecer uma conexão PPP (e nem era Winmodem :P) e nunca tinha conseguido concluir com sucesso uma compilação de kernel :). Nunca tinha feito uma linha de código em C para ambientes Unix (só para DOS) e mesmo assim fui parar no departamento de Pesquisa & Desenvolvimento da Conectiva. Meu inglês hoje é muito ruim, imagine naquela época 🙂

Lá na Conectiva, que hoje se chama Mandriva, trabalhava a elite do Software Livre brasileiro. Alguns desses profissionais ainda estão por lá e outros estão ‘por aí’. Para citar alguns: Arnaldo Melo (acme), Cavassin, Rodarvus (vulgo Rodrigo), Gustavo Niemeyer (Python, Smart, …), Sérgio Bruder (PontoBR), Cláudio Matsuoka (um moonte de coisas), Hélio (KDElio), Alfredo Kojima (WindowMaker, apt-rpm, …), Aurélio (verde, que à época era o verde666), Paulo César Andrade (driver Vesa pro XFree86), etc etc etc etc etc… E eu lá, no meio desse monte de gente 🙂

Não preciso dizer que ter trabalhado na Conectiva é equivalente a jogar na Seleção Brasileira para um jogador de futebol.

Algum tempo depois fui trabalhar Objective Solutions onde tive o privilégio de conhecer caras muito bons, entre eles: Klaus Wuestfeld (Prevayler). Na Objective eu aprendi a programar usando Orientação à Objetos.

Trabalhar com Python também faz com que a gente tenha contato com pessoas fora do comum no quesito inteligência. Não é qualquer comunidade que dispõe de pessoas do naipe de Luciano Ramalho, Érico Andrei, Jean Ferri, Rodrigo Senra, Pedro Werneck, Xiru, Sidnei da Silva, Gustavo Barbieri, José Nalon, etc etc etc.

As pessoas que fazem muito blablabla (chamados de “Boi” pelo Júlio Cezar Neves) deveriam se inspirar no trabalho dessas pessoas citadas aí em cima e parar de ficar discutindo coisas inúteis sobre “Melhor distribuição Linux”, “Gnome vs. KDE” ou outra coisa do tipo.

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A LER e a DORT

Por falta total de idéias para postar por aqui e por ter participado hoje de uma ginástica laboral no trabalho resolvi tratar de saúde.

Não existiria alguém mais inadequado para falar de saúde do que eu, um inveterado anti-atividades-físicas, mas nos casos específicos da LER e das DORT eu até atrevo a emitir uns comentários. Me atrevo porque já sofri consideravelmente com dores nos pulsos causadas por uma tendinite tratada à base de repouso prolongado e anti-inflamatórios.

Para nós programadores ‘repouso prolongado’ geralmente causa alguns problemas financeiros (principalmente quando se trabalha como ‘terceirizado’) e para evitar esse tipo de problema para meus colegas de trabalho vou tentar dar alguns conselhos de vários tipos para poupá-los de tais problemas.

Antes de começar vamos definir de forma simplista o que significa LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho).

A LER é uma lesão (como o nome diz) que é causada pela movimentação repetitiva de partes do nosso corpo. Exatamente o tipo de movimento que meus dedos estão fazendo enquanto digito esse texto ou movimentando o mouse.

A LER é um tipo de DORT. DORT é qualquer problema causado à nossas estruturas ósseo/muscular por atividades relacionadas ao trabalho. A LER é a mais famosa delas.

Após essas definições supersimplificadas que certamente causarão arrepios aos mais experientes professores de educação física e fisioterapeutas que lerem esse post vamos à algumas medidas que visam melhorar as nossas chances de não desenvolver um desses problemas.

Postura

Quando eu me sento para trabalhar pareço um lord-inglês. Postura ereta, cabeça posicionada corretamente, pés plantados completamente no chão e os braços e pernas formando ângulos retos. Essa posição dura cerca de 5 minutos. Esse é o tempo necessário para que eu me perceba praticamente deitado no assento das cadeiras e as mão digitando na altura da cabeça.

Esse problema tem sido o mais difícil de resolver e minhas costas já estão avisando que é bom eu providenciar rapidamente uma solução. Se eu praticasse alguma atividade física que fortalecesse a musculatura das costas esse problema diminuiria consideravelmente mas, definitivamente, sou preguiçoso demais para fazer isso 🙂

Estou pensando em me amarrar com um cinto bem apertado na linha da cintura à cadeira (da mesma forma que a gente usa cintos de segurança de 2 pontas). Assim eu não ‘escorregaria’ para baixo da mesa 🙂 Vou consultar algum especialista na área, experimentar isso e depois falo qual foi o resultado 🙂

Eu não achei uma boa ilustração para colocar aqui com a postura ideal para se usar um computador mas basta lembrar de algumas regrinhas:

  • Braços e pernas formam ângulos de 90 graus.
  • Braços apoiados completamente sobre a mesa.
  • Pés plantados completamente no chão.
  • Tronco ereto e olhos olhando para o ‘horizonte’.
  • Parte de cima da tela do monitor deve estar exatamente na altura dos olhos.

Equipamentos

Algumas dicas importantes para o uso do ‘equipamento’:

  • Não use aqueles apoios de braço. Eles fazem com que seu braço não fiquem totalmente escorados na mesa.
  • Use luvas imobilizadoras somente sob orientação de médico. Essas luvas podem até piorar a situação. Cuide também para, caso usá-las, não apertar muito para não prejudicar a circulação.
  • Se você tiver dinheiro para ‘gastar’ compre bons teclados e mouses. Gaste mais dinheiro nisso do que naquela super nVidia 9000GXF+++ que você estava pensando em comprar. Mouses e Teclados são um caso à parte por isso tratarei separadamente.
  • Eu prefiro monitores LCD aos CRT. Não só pela beleza e estética mas porque eles não oscilam e me dão menos dor-de-cabeça. Não sei se essa sensação tem algum fundamento científico mas minha experiência pessoal prefere o de LCD.

Teclados

Para nós programadores essa é a ferramenta mais usada. Então porque gastamos fortunas com placas de vídeo, memória e processador e sempre economizamos nesse dispositivo? Eu não entendo. Mas vou colocar aqui algumas coisas que eu, em minha experiência pessoal sem base científica/estatística alguma, percebi:

  • Teclados ABNT são melhores que teclado US para nós programarmos. Digitamos menos para obter um “ç”, ‘”‘ ou uma “‘” tão comuns para delimitar strings em um programa. Digitamos menos porque nos teclados ABNT essas teclas são separadas das teclas de acentuação tornando desnecessário ‘”‘+espaço para obter uma ‘”‘.
  • Prefira teclados cujas teclas tenham o ‘curso’ menor. Teclados de notebook são assim e alguns teclados para desktops à venda também possuem esse tipo de tecla.
  • Eu troquei o meu Caps Lock de lugar com o Control Esquerdo, assim, evito 2 problemas: ficar apertando Caps acidentalmente sempre que uso a letra “A” e fazer malabarismos para digitar as combinações Ctrl+A, Ctrl+S, …
  • Me disseram que teclados DVORAK economizam esse movimentos dos dedos, mas não sei se isso é verdade.

Mouse

Evite usar o Mouse. Crie muitas teclas de atalho nos programas que você usa. O movimento teclado-mouse-teclado prejudica o braço.

O Resto

Algumas outras dicas importantes:

  • Participe das ginásticas laborais no seu trabalho caso elas existam. Se não existirem tente convencer a ‘chefia’ para que elas aconteçam (não tente fazer você mesmo essa ginástica pois fazer essas atividades de maneira errada pode atrapalhar mais que ajudar).
  • Instale o Workrave em sua máquina e desative a opção de ‘postpone’ :). Recomendo seguir as atividades propostas pelo programa. Tem algumas muito legais. Dica: desligue esse programa antes de entrar no Counter-Strike 🙂
  • Eu não gosto, mas se você gosta: pratique algum esporte/atividade física.
  • Evite programar em linguagens que exijam muita digitação: ‘public static int main(int argc, String argv[]) { System.out.println(“foo”); }’. Prefira ‘print “foo”‘ 🙂

Seguindo essas dicas você garante mais alguns ‘anos de vida’ para seu pulso.

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